20.7.11

Garota, Interrompida é um filme tenso e envolvente sobre liberdade

GAROTA, INTERROMPIDA

Eu me interessei por esse filme ao ver a chamada dele no Universal Channel, e após a recomendação de uma amiga, resolvi conferir a fita. Bom, esse definitivamente não é um filme pra "passar o tempo", é um drama muito envolvente sobre sociopatia e liberdade. Para você, qual a definição para "liberdade"? Pense, você pode estar errado.

O filme conta a história de Susanna(Winona Ryder), uma adolescente problemática que é internada num hospital psiquiátrico, ou melhor dizendo, hospício, após tentar se matar tomando um pote inteiro de aspirinas com vodka. Ao chegar no hospício, Susanna faz amizade com algumas das internadas com quem se dá bem, e acaba se envolvendo com a sociopata Lisa(Angelina Jolie), uma pessoa irônica, sensual, agressiva e manipuladora. A atuação de Winona Ryder aqui é sem dúvida muito boa, mas quem rouba a cena é Angelina Jolie. Jolie faz uma interpretação fantástica como Lisa e assim como sua personagem, é o centro das atenções a todo momento, principalmente em cenas com a enfermeira Valerie, interpretada por Whoopi Goldberg, que sempre faz um ótimo trabalho em seus filmes. A química entre Winona Ryder e Jolie é impressionante, Lisa usa seus métodos manipuladores para rapidamente ganhar a confiança de Susanna, e elas se tornam então, amigas. Lisa faz com que todas as características negativas do hospício(Pessoas muito autoritárias, o modo de tratamento...) fiquem bem evidentes para que Susanna acredite que aquele lugar é o que acaba enlouquecendo as pessoas, e esta acredita. É bem mostrado que à medida que Lisa e Susanna se tornam mais amigas, Susanna começa a se rebelar mais com as autoridades e com as regras do hospício. A trilha sonora nesse filme não é tão presente, mas a música não deixa de ser importante. A fotografia aqui é bem curiosa, as cores do filme são bem "mortas" e isso pode ser notado desde as primeiras cenas, o que dá um tom antigo e obscuro ao filme. Temos um clímax bem tenso, assim é o filme inteiro, principalmente o final. Nesse filme, não é muito importante que a mixagem de som seja exuberante, mas a mesma ainda é feita de modo digno. As personagens ao redor de Susanna e Lisa, como Polly(Elisabeth Moss) e Georgina(Clea DuVall) são retratadas como pessoas que encontraram um modo de serem felizes naquele hospício; Convivendo com as pessoas ao redor. E é muito legal como o filme mostra que a convivência em grupo é importante para todo mundo. Daisy(Britanny Murphy), é uma personagem problemática que é vítima das provocações de Lisa(O que resulta num fim pelo menos trágico) pelos seus defeitos, problemas, vicios e sua história. Britanny Murphy a interpreta de uma forma que nos faz ver muito bem pelo o que aquela personagem passa. Já Polly é uma pessoa com uma deformação séria no rosto causada por queimaduras, o que faz a personagem se redimir diante dos outros e ser uma das figuras mais interessantes do filme pelo querer de ser alegre através de outras formas, e quando isso não lhe é concedido, ela deduz que seja por sua aparência e se redime por isso. A ousadia de Susanna aumenta a um certo ponto, mas ela não é cega, e sua relação com Lisa vai se tornando instável aos poucos. A personagem de Whoopi Goldberg, Valerie, tem o foco que deve ter, é mostrada como a enfermeira chata da história. Ela rivaliza com Lisa e mostra estar disposta a por a cabeça da mesma no lugar, porém a teimosia e a sociopatia de Lisa não cedem tão fácil. Nesse filme, temos um clímax e uma conclusão bem intensa, onde as personagens de Ryder e Jolie se confrontam. É muito interessante o modo como Lisa define liberdade. Ela se julga livre pelo fato de fazer o que quiser, na hora que quiser, mas porque ela consegue e não pelo fato de ser um direito dela(Se essa for a sua definição de liberdade, pense bem), e acaba ela estando errada. Jolie estabelece uma relação com as outras atrizes que faz mostrar como Lisa as manipula, as cega e as vira contra as autoridades do hospício. Não preciso nem mencionar que Jolie ganhou o Oscar de melhor atriz coadjunvante por sua interpretação como Lisa, não é? A atriz encarna a sociopata de uma forma tão convincente e tão intensa como Heath Ledger encarnou o psicopata Coringa em "O Cavaleiro das Trevas"(The Dark Knight, 2008). No final, é mostrado que até mesmo Lisa é vulnerável e tem um lado sentimental e sensível, ela acaba não sendo a vilã para as outras pessoas mas acaba sendo a vilã para ela mesma, pois são seus atos de "liberdade" e sua ousadia que a mantém naquele manicômio.
Conclusão Final: "Garota, Interrompida"(Girl, Interrupted, 1999) é um filme intenso que faz o espectador realmente querer saber o que acontece em seguida e é tão bom quanto o recente "Cisne Negro"(Black Swan, 2010). As personagens e as relações entre as mesmas envolvem quem assiste o filme de um modo comovente e o longa nos passa uma mensagem muito importante sobre amizade, auto-destruição e liberdade. Winona Ryder que me desculpe, mas esse filme é de Angelina Jolie! Recomendado!

Nota: 9,0

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