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18.4.13

NÓS LEMOS: " Arqueiro Verde #17 "

Por Kelvim Valente
Dando um tempo nos estudos, fui rever a lista de HQ’s quais tinha a leitura pendente, e dentre elas estava a nova fase do Arqueiro Verde escrita pelo ilustre Jeff Lemire. O personagem vem de um início fraco nos Novos 52, um seriado bacana onde ele parece o Batman de verde, e aparições como membro da Liga da Justiça da América, um lançamento promissor da DC. Lemire fez diferença?


É, fez, e muita. A partir da décima sétima edição, parece que estamos lendo outra HQ. Indo à resenha da edição, a nova história chamada “A Máquina de Matar” (viva aos filmes de ação dos anos 80...) me lembrou muito o que vimos em “A Queda de Murdock”, onde o protagonista entra num beco sem saída onde a situação piora a cada minuto que passa. A edição se inicia com Oliver Queen questionando sua existência, seu pensamento sobre a vida superficial que teve e sobre tentativas falhas de corrigir sua cidade como o Arqueiro Verde. E então, voltamos três semanas no tempo.


Emerson, quem ficou responsável pela corporação que Oliver herdou de seu pai, Robert, perdeu a empresa, caindo num abismo financeiro. A discussão de ambos chega a um ponto curioso, onde Emerson fala que Oliver sempre teve tudo, e que um homem não sabe realmente o que ele é até que perca tudo. Então, quando pensamos que uma revelação bombástica mudará os rumos do herói, Emerson é assassinado por uma flecha do Arqueiro Verde, e puxado de forma que caísse do prédio através da janela. A partir desse ponto, se inicia a ruína de Oliver Queen.

Sem sua principal empresa e suspeito da morte de seu velho amigo, Oliver precisa fugir dos seguranças, e posteriormente da polícia. A reação lógica é vestir-se como o Arqueiro e descobrir quem matou Emerson. Seus ajudantes não podem fazer nada no momento, o que o intriga e o obriga a fugir para seu quartel general. Ao se aproximar do prédio de uma das empresas quais dedicou seu tempo e investimento, a “Q-Core”, ele a vê explodindo. E agora?


Temos uma série de monólogos de Oliver, intercalando uma caminhada por uma parte aparentemente abandonada da cidade, e momentos onde esconde da polícia, que ainda o procura para esclarecer o episódio com Emerson. Oliver relembra como questionou a decisão sobre criar esconderijos ao longo da cidade, afinal “merda acontece”. E aconteceu, mesmo. Na forma de um abrigo subterrâneo, um desses esconderijos abriga equipamento reserva. Uniforme, flechas, arcos. Com o prédio da Q-Core, seu quartel principal destruído, era tudo o que restava. Então, agora bastaria investigar e encontrar o novo vilão? Errado.
“Eu sou Komodo, eu sou sua morte garoto”. O vilão se revela no esconderijo secreto de Oliver, apontando-lhe uma de suas flechas com o arco já tensionado. Problemas? Claro. O Arqueiro Verde se encontra encurralado. A história continua pro mais páginas, mas a resenha para por aqui.

Komodo, promessa para um ótimo vilão.
O que temos nessa HQ que inicia a saga “A Máquina de Matar” é um acúmulo de clichês. O personagem principal se vê obrigado a enfrentar uma nova ameaça enquanto perde seus recursos. Mas, qual o lado bom? Tudo, eu diria. Existem clichês bem construídos, e foi isso que Lemire nos entregou em sua estreia. A tensão a cada página torna essa HQ algo sensacional, e Komodo se apresenta como um personagem calculista, inteligente, e que de alguma forma sabe tudo sobre Oliver ao estar sempre um passo adiante. Além do roteiro, Andrea Sorrentino assume os desenhos, e faz um trabalho excepcional. Seus traços somados ao modo como monta os quadros tornam o estilo da narrativa bastante atrativo, e de certa forma original. A edição não é excepcional, mas vale a pena acompanhar.

Nota: 7,5

5.4.13

VAMPIRO AMERICANO ~ " Nascido no Kansas, queima no inferno "


Por “Kelvim Valente”


Conheci a série “Vampiro Americano” por conta de sites especializados, e não demorou para que a minha vontade em adquirir o que fosse possível e ler viesse. Primeiro, o receio. Vampiros, hoje? Uma temática banalizada pela cultura pop adolescente pode render algo bom? E hoje eu sinto raiva por questionar isso. Skinner não é o vampiro que sua irmãzinha gosta. Em tempos do retorno de Carrie, vi que apresentar a primeira empreitada de Stephen King no mundo dos quadrinhos, sob as ordens do grande Scott Snyder e impecável arte de Rafa Albuquerque é necessário.

Vamos aos pilares da história. A temática baseia-se no velho oeste, apresentando um dos cenários melhor utilizados pelo cinema. Clint Eastwood em suas inúmeras empreitadas em westerns, e mais atualmente o clássico moderno “Django Livre”, entre ouros inúmeros sucessos, seja em seu tempo quanto através dele. Mas, porque falar de cinema? O primeiro cenário abordado é Hollywood, através de uma jovem atriz chamada Pearl Jones, que ao longo da saga cresce de uma forma inimaginável. A história se divide em dois períodos, um narrado um 1925 que obtém total foco em Pearl, numa Hollywood glamurosa nos primórdios do cinema, mas ainda assim dominada pela obscuridade, e uma abordagem puramente “western” em 1880, nos confins da Califórnia, onde o assaltante Skinner Sweet é levado pelas autoridades após sua captura.
Pearl Jones, cuja origem é escrita por Snyder, é retratada como uma atriz promissora, que se mudou para Hollywood em busca de um sonho, e batalha dia e noite por ele. Caracterizada por uma tatuagem de um girassol negro ao topo das costas e cabelos e de um sorriso ingênio. Infelizmente, o submundo conspira contra ela, e logo na primeira edição uma emboscada preparada pelos temidos Vampiros Europeus deveria ser o bastante para matá-la. Uma jovem indefesa contra um mundo sombrio e cruel. A sobrevivência de Pearl se dá por conta de Sweet, que a transforma em sua obra prima. De início ela representa uma mocinha indefesa, mas seu papel tem um crescimento exponencial. Ao longo da série, e além dessas cinco primeiras edições compiladas pela editora Panini num encadernado de luxo, ela se transforma numa das maiores e mais profundas personagens que já pude ver em uma história em quadrinhos. Ainda nesse início, encontra ao lado de Henry Preston um porto seguro, um amor para toda a vida, uma caminhada que se torna memorável conforme o tempo passa.

O protagonista e centro das atenções em ambas as histórias é Skinner Sweet, que tem sua origem contada por Stephen King, co-escrito pelo criador Snyder. Skinner tem um conceito simples, e até “clichê” à primeira vista. Ele é um bem sucedido assaltante de bancos, que numa má investida foi pego pelo agente da lei James Book. Apesar do protagonismo, em momento algum a história é narrada através do ponto de vista de Sweet. Isso lembra a atitude de Frank Miller ao narrar “Ano Um” sob o ponto de vista do Comissário Gordon. A narrativa ocorre através do escritos Will Bunting, que acompanhava o detetive Book na caçada ao assaltante, e escrevia tudo o que via nos moldes de um diário. Após os acontecimentos que estão além dos spoilers dessa resenha, ele lança um livro de “ficção” contando a história de Skinner, uma vez que seu livro continha fatos extraordinários demais para ser vendido como uma obra real. O livro intitulado “Sangue Ruim” foi o único livro bom de Bunting, mas foi o suficiente para fazer sua carreira e garantir sua aposentadoria. A história se inicia com Bunting em um grande evento que auto-promoveu, onde pretende convencer aos espectadores que tudo o que escreveu por Skinner é de fato realidade.
Skinner nunca foi o herói, mesmo em sua própria história. Esse papel cabe a James Book, retratado como um homem de valores além da humanidade. Dedicou sua vida à lei, e parte dela a acabar com aquele que viria a se tornar o Vampiro Americano. Mas, como Skinner se transforma no Vampiro Americano? A história é centrada no primeiro vampiro nos Estados Unidos, criado nos Estados Unidos. Seu assalto mau sucedido foi ao banco de um aristocrata chamado Percy, um vampiro europeu. A maldição vem através do sangue. Segundo as palavras de Skinner, “quando o sangue encontra alguém novo, num lugar novo, ele gera algo novo”. Essa é a explicação, e o mistério. Além do seu vício por doces – que gera cenas cômicas inesquecíveis – ele não tem escrúpulos, ou algum clamor por moralidade. O que o torna imprevisível, sendo sádico, porém calculista. O que o diferencia do Coringa, além do visual inspirado em Kurt Cobain, é a sanidade. Ao longo dos capítulos, Bunting revela mais sobre Skinner, e mais sobre as atitudes heroicas de James Book, que representa a face oposta do vampiro.


Sobre a arte, Rafael Albuquerque nos presenteia com desenhio incríveis, sujos quando necessário, limpos e impecáveis quando se pede. As expressões sacanas de Skinner, a tristeza de Will e a serenidade amável de Pearl são retratadas com uma precisão quase sobrenatural. Tudo com a colorização de David McCaig, que complementa e aperfeiçoa o que o brasileiro desenha. Sobre o roteiro. A associação entre Scott Snyder e a lenda Stephen King rendeu uma saga vencedora do prêmio Will Eisner para melhor lançamento de 2010. Essa foi a primeira tentativa de King em escrever numa plataforma muito diferente dos livros, mas... mesmo com sua genialidade para o terror e o suspense, ele não obteria esse sucesso sem Scott Snyder, e relata que sem seu auxílio e as definições sobre os conceitos e a temática da história, talvez não houvesse glória. A participação de Stephen King dura cinco edições, mas a genialidade de Scott permanece mensalmente. Não tenha dúvidas. Falar mais implica em falar sobre o roteiro, o que de acordo com o peso da narrativa e das surpresas que aguardam ao longo das páginas, seria um crime. Leia.

Nota: 10

“ Um início promissor, um desenvolvimento emblemático, e certamente um legado para as próximas gerações. ” - Kelvim Valente.

12.10.12

Nós Lemos: BATMAN #13


Por LEÃO VALENTE 

Treze, um número “maldito” para uns. Existem prédios que pulam o décimo terceiro andar, deixando uma plataforma vazia para conter o azar. Competições como a Formula 1 excluem o carro de número treze, pulando do doze ao quatorze. Na décima terceira edição de “Batman”, tivemos um breve aperitivo dos dias sombrios iniciados pelo azar do número que carrega em sua capa.


Meses atrás Scott Snyder disse ao mundo que sua nova saga nas HQs do Batman focando no retorno do Coringa acarretariam na maior história do Coringa dos últimos tempos. De fato, desde “Asilo Arkham” de Grant Morrison e “Coringa” de Azzarelo, o palhaço que assombra Gotham recebeu um destaque pobre, e em algumas vezes maçante com aparições simples e despretenciosas. Houveram questionamentos e motivações a cerca do que Snyder propôs, e enquanto alguns citavam que sua obra seria comparável à “Piada Mortal”, outros diziam que não passaria de violência sem compromisso. Ainda não concluo nenhuma das opções, mas, a primeira edição que serve de prólogo para a “Morte da Família” obteve notas máximas nos principais sites relacionados a quadrinhos nos Estados Unidos, dentre eles Comicvine, CBR e Newsarama. Francamente, após acabar a leitura da esperada edição, apenas falei fria e calmamante: “puta que pariu.” Tudo o que foi dito, todas as promessas e todo o clima tenso nos teasers dessa saga eram reais. Há tempos, acredito que desde a Piada Mortal eu não vejo o Coringa numa versão tão caótica. O que Snyder trouxe nas páginas de Batman #13 me fez lembrar como se a memória fosse um projetor cinematográfico no escritório, de momentos onde o Coringa “nasceu” pelas mãos do Batman, de sua icônica frase sobre a Carta Coringa em “Batman: R.I.P.”, e de tudo que Heath Ledger demonstrou em The Dark Knight. 

Já não era segredo como seria o visual desse novo Coringa, uma vez que desenhos vazaram da DC nos revelando a sua nova face. Recapitulando, em “Detective Comics #1”, o vilão Dollmaker arrancou a pele do rosto do Coringa, e a partir daí, ele não foi mais visto, sendo dado como desaparecido. O que parecia apenas uma cena chocante para muitos, foi usado de forma maestral por Snyder.

A edição treze, curiosamente, se inicia com o Comissário Gordon falando sobre presságios de azar. A partir daí, a cena é cortada para dentro do Departamento Policial, onde as luzes se apagam e o palhaço surge contando suas piadas. Essas poucas páginas no Departamento Policial com certeza poderiam compor um pequeno filme de terror. É exaltado o medo e o suspense, enquanto o Coringa ataca um a um os oficiais comandados por Gordon. A única uz vem da lanterna do Comissário, e dos disparos alheios e sem sorte. Pescoços são quebrados enquanto a piada do Coringa é contada, sendo encerrada quando ele retoma o que queria: seu rosto. No instante seguinte, Batman aparece, mas já é tarde para que qualquer coisa possa ser feita. O Coringa voltou, e com ele, um circo recheado de atrações macabras.

A edição também conta com páginas adicionais co-escritas por James Tynion IV, narrando uma história complementar focada na Arlequina, e sua reação ao reencontrar o “Senhor C.” Ressalto o clima depressivo que essas curtas páginas demonstram, com uma intensidade tão grande que quase permite à Harley deixar suas lágrimas escaparem através das páginas.
Em relação à arte, tanto de Greg Capullo (com arte final de Jonathan Gaplion e cores de FCO Plascencia) na história regular quanto de Sal Cipriano na complementar, embasam perfeitamente o clima de suspense criado a cada página. Os traços e o estilo visionário de traçar expressões e movimento fazem com que Capullo seja cada vez mais querido pelos admiradores do Morcego e da boa arte. Capullo e Snyder, sem dúvidas, fazem uma dupla perfeita para as HQs do Morcego.

A Morte da Família começou, e com ela, a segunda saga que coloca Scott Snyder entre os maiores escritores da DC Comics que já trabalharam com o eterno Cavaleiro Negro de Gotham.

Nota: 10


22.8.12

DC: Capas, novidades e o Retorno do Coringa!

Então, damas e cavalheiros, a DC Comics liberou ilustrações correspondentes às capas de suas edições do mês de novembro, que deverão figurar nas bancas após a onda de HQs com a numeração zerada (como já dito em outro post, as capas com numeração "0" representam a edição da origem do respectivo personagem), e falando em relação ao Bat-Universo, é literalmente impossível não esperar com uma forte ansiedade.
A grande novidade vem a respeito do retorno do Coringa, principal vilão da editora e um dos maiores ícones dos quadrinhos em geral, que logo na edição "Detective Comis #1" dos Novos 52 foi dado como desaparecido. Essa edição, por sinal, foi um divisor de águas por conta de sua "brutalidade", onde o Príncipe Palhaço do Crime teve a pele de seu rosto extraída pelo vilão que protagonizou o primeiro arco da série, intitulado "Dollmaker". Enfim, vamos às capas.



BATMAN INCORPORATED #5


Escrita por GRANT MORRISON
Arte e capa por CHRIS BURNHAM
Capa alternativa por FRAZER IRVING


" A prévia relata uma guerra pelos céus de Gotham City, numa edição que se passará no futuro apocaliptico onde Damian Wayne assume o manto do morcego. Bat-robôs contra o exército de Morcegos-Humanos de Talia Al Ghul, enquanto o Leviatã e O Herege aumentam seu campo de hostilidade. "
Francamente, toda a minha empolgação com essa série acabou quando Morrison anunciou sua saída da DC, porque simplesmente não sabemos mais até onde essa HQ irá. De qualquer forma, essa versão do Damian é realmente muito interessante, e espero uma edição que mantenha o nivel alto da série.

DETECTIVE COMICS #14


Escrita por JOHN LAYMAN
Arte e capa por JASON FABOK
História em backup por JOCK

" Quando a vida de Bruce Wayne é salva pelo Pinguiem, que surpresas poderá encontrar o Cavaleiro das Trevas?  A história em backup mostrará intimamente os vilões mais perigosos de Gotham City, e uma prévia da tempestade que virá. "
O que mais me entristece nessa HQ é a saída de Tony Daniel, por conta de sua arte. Porém, o trabalho de Jason Fabok já nessa capa me convenceu... Espero que essa HQ encontre um caminho fixo e linear, pois a caminhada de Daniel nas edições anteriores pareceu uma verdadeira montanha russa...

BATMAN: THE DARK KNIGHT #14


Escrita por GREGG HURWITZ
Arte e capa por DAVID FINCH

" Sequestrado e torturado pelo Espantalho, o Cavaleiro das Trevas pagará na mesma moeda. "
TDK foi simplesmente a pior HQ relacionada ao Bat-Universo durante o período liderado por Paul Jenkins. Não admito isso até hoje, pois um escritor que considero ótimo não poderia escrever uma "fanfic infantil", com um direcionamento... opa, QUE direcionamento? Enfim... Em poucas edições, Gregg convenceu a mim, e a muitos outros, impondo o que prometeu: terror. E existe um personagem melhor do que o Espantalho para isso? O ritmo da nova saga está ótimo.

TALON #2


Escrita por SCOTT SNYDER e JAMES TYNION IV
Arte e capa por GUILLEM MARCH
Capas alternativas por KEN LASHLEY e GUILLEM MARCH

" O que é a "Tumba dos Não Merecedores"? Como os membros sobreviventes da Corte das Corujas a utilizarão para destruir Calvin Rose? Apresentando também um assassino mais perigoso que o Garra. "
A saga focada na Corte das Corujas realmente trouxe um legado para a DC, que se reflete nessa saga. Confesso que é uma das que mais espero, principalmente pela abordagem mais "interna" da Corte, de seus integrantes e do modo como agem. Snyder e seu pupilo, Tynion IV, certamente trarão aos leitores outra aventura sensacional abordando um novo Garra (Talon).

BATMAN #14


Escrita por SCOTT SNYDER
História em backup por SCOTT SNYDER e JAMES TYNION IV
Arte por GREG CAPULLO e JONATHAN GLAPION
Arte do backup por JOCK
Capa por GREG CAPULLO
Capa alternativa por TREVOR McCARTHY e GREG CAPULLO

" A Morte da Família continua... O Coringa está de volta, e de alguma forma, mais monstruoso do que nunca. O que causou essa mudança? O Batman será capaz de parar um Coringa tão psicopata e mortal? E... onde está Alfred? Na história em backup, relatando momentos além da edição regular, o Pinguim esgota suas opções enquanto precisa enfrentar o Coringa. "
Sem palavras. Acredito que essa seja a saga mais esperada do ano, desde o primeiro teaser lançado na arte de Greg Capullo com a frase "adivinha quem voltou...?" Scott Snyder prometeu uma saga focando o Coringa, e prometeu que seria algo tão grande quanto "Asilo Arkham" e "A Piada Mortal". Considerando que essas palavras vieram do cara que criou a mitologia do "Vampiro Americano", a fantástica mini-série "Seleção Natural (American Vampire: Survival of the Fittest"), a épica saga "Uma Corte de Corujas" e a publicação em andamento "Lord of Nightmares", eu acredito. Snyder trouxe o Batman ao topo da DC novamente, liderando vendas e sendo superado apenas pela HQ "Liga da Justiça", vendida como carro-chefe da editora... agora, focando naquele que o próprio considera seu "vilão favorito", não há como não esperar a melhor saga do ano.

BATMAN & ROBIN #14



Escrita por PETER J. TOMASI
Arte e capa por PATRICK GLEASON e MICK GRAY

" Damian derrubará o Clube Z. "
Uma prévia que não diz nada, porém, a capa diz muito. O sangue visível na dentadura de brinquedo dá uma prévia do que veremos, principalmente quando se trata de Damian Wayne e o Coringa.


CATWOMAN #14


Escrita por ANN NOCENTI
Arte por RAFA SANDOVAL e JORDI TARROGONA
Capa por TREVOR McCARTHY


" A Mulher Gato cai em uma das armadilhas do Coringa, e, ele sempre vem para brincar. "
Não sei o que esperar quanto a essa edição, mas, considerando que eventualmente Selina Kyle complementa o Bat-Esquadrão, e é visivelmente o maior interesse romântico de Bruce, ela se torna um alvo óbvio do Coringa.

NIGHTWING #14


Escrita por TOM DeFALCO
Arte por ANDRES GUINALDO e MARK IRWIN
Capa por EDDY BARROWS e EBER FERREIRA

" Uma batalha épica entre Asa Noturna e Lady Shiva. Dick Grayson pode estar em desvantagem, mas não se renderá sem uma luta. "
Essa HQ está diretamente relacionada ao evento "Morte na Família", e minha única indagação é a respeito de como Lady Shiva está relacionada a tudo isso. Resta esperar para ver...

BATGIRL #14


Escrita por GAIL SIMONE
Arte e capa por ED BENES

" Barbara Gordon tenta salvar sua família de um destino muito pior. Será que ela tentou chegar tão longe, apenas para ser novamente uma nova vítima do Coringa? "
Acredito que essa capa gerou as maiores expectativas quanto à "Morte da Família". Batgirl, uma vez feita paraplégica pelas mãos do Coringa, o enfrentará novamente. É impossível não remeter essa edição ao legado criado pela Piada Mortal, e, se todas as intenções apresentadas nessa capa com traços psicopatas, teremos um grande show.

10.8.12

Análise - Morte em Família






Em 1940, cerca de um ano após a primeira aparição de Batman em Detective Comics #27, a popularidade do personagem era visivelmente crescente. Com o intuito de abrandar o tom soturno das histórias do Homem-Morcego, e sobretudo criar um elo de aproximação dos jovens leitores com esse universo, foi introduzido um novo personagem: Dick Grayson – Robin, o Menino-Prodígio. O garoto, cujo passado (este, por sua vez, mais explorado em Batman - Vitória Sombria) em alguns pontos assemelha-se ao do próprio Bruce Wayne , logo tornou-se um dos mais icônicos personagens dentre os super-heróis, sendo representado não só nas HQs, como também em animações, filmes, produtos e na famosa série do Batman nos anos 60.



Mas tal como na vida real, os personagens das histórias em quadrinhos passam por períodos de amadurecimento. Após ser baleado pelo Coringa e em seguida ter alguns desentendimentos com Bruce, além de ocupar o posto de líder do jovem time de heróis conhecidos como Titãs, Dick Grayson deixa o cargo de parceiro mirim do Batman, posteriormente assumindo a identidade de Asa Noturna. Assim, o Cavaleiro das Trevas mais uma vez passa a trabalhar sozinho...




...Mas não por muito tempo. Em 1983, mais uma vez sentiram a necessidade de um parceiro para o Batman no combate ao crime, e então foi criado um novo personagem: Jason Todd. Após a mega-saga Crise nas Infinitas Terras, que renovou e modificou muitos conceitos no universo da DC, a origem definitiva de Jason foi estabelecida: o menino, órfão morador de rua, foi pego no flagrante tentando roubar os pneus do Batmóvel. Pouco tempo depois, Batman decide adotá-lo e treiná-lo para o posto de Robin, uma vez que via no garoto muita raiva e revolta que poderiam ser canalizadas para algo positivo.



Contudo, o novo Robin não foi bem recebido pelos fãs, sendo que muitos o viam como um simples substituto que não estava à altura do Robin anterior. Com o passar do tempo, o personagem foi tornando-se visivelmente mais agressivo e rebelde, chegando ao ponto de até ter assassinado um bandido (Batman #424), embora nunca tenha ficado muito claro. Esses e outros motivos levaram a DC a fazer algo inédito até então: criar uma enquete por telefone para os leitores decidirem se Robin iria viver ou morrer.



O resultado foi apertado, 5343 votos a favor da morte e 5271 contra. O destino dele revelado no arco Morte em Família, publicada entre 1988 e 1989, escrito por Jim Starlin e desenhado por Jim Amparo e Mike DeCarlo. Na história, Jason descobre que sua mãe na verdade era sua madrasta, e parte em busca de sua mãe biológica. Viajando ao mundo seguindo algumas pistas, com a ajuda de Batman, acaba encontrando o que procurava. O que ele não esperava era que o Coringa estaria envolvido num esquema de política internacional e terrorismo relacionado inclusive à sua mãe, e que pouco depois estaria fadado a uma brutal morte pelas mãos do Palhaço do Crime. Após o ponto alto da história, o ritmo acaba caindo um pouco e, para o leitor, o plano do Coringa por trás de toda trama é invariavelmente ofuscado pelo acontecimento. Ainda assim, é um marco importantíssimo durante as décadas de existência do Homem-Morcego. A morte de Robin teve profundas consequências na psique de Batman, e é frequentemente resgatada em outras histórias, sendo mostrada como um de seus maiores fracassos e traumas.



- Laís

17.7.12

Análise - Batman: Vitória Sombria

"Eu fiz uma promessa aos meus pais de que livraria a cidade do mal que ceifou suas vidas. Isso não mudou. Só que agora...
...eu não estou mais sozinho."



Publicada em uma minissérie de sete partes em 1999, Batman: Vitória Sombria (Batman: Dark Victory) é mais um trabalho da dupla Jeph Loeb, roteirista, e Tim Sale, desenhista. É essencialmente uma continuação da trama iniciada na obra O Longo Dia Das Bruxas, mostrando sobretudo as consequências dos eventos acontecidos nela.

Alguns meses após a suposta captura do serial-killer Feriado, novos e misteriosos assassinatos começam a acontecer, tendo como vítimas por enforcamento membros da força policial que em algum momento já estiveram envolvidos com o ex-promotor Harvey Dent. Ao mesmo tempo, as famílias mafiosas de Gotham intensificam suas disputas e Sofia 'Gigante' Falcone se engaja em uma cruzada em busca de vingança. 


Batman, por mais que tente esconder, encontra-se com o psicológico muito abalado. Ele acredita que se houvesse confiado seu segredo a Dent, talvez pudesse ter evitado que ele se tornasse um vilão já que saberia que tem um aliado em quem confiar. A culpa lhe pesa muito, e cada vez mais ele se afasta de sua persona Bruce Wayne e das pessoas importantes em sua vida, como Jim Gordon e Selina Kyle.

Mas o principal ponto da história é mostrar a origem de Robin, Dick Grayson. Após ver os pais morrerem em um 'acidente' forjado durante uma apresentação no Circo Haly, o pequeno acrobata é adotado por Bruce, que se indentificou por ter vivenciado trauma semelhante. Enraivecido pela dor da perda, o garoto decide ir atrás do homem que ele acredita ter sido responsável pela morte de sua família, mas apesar de ser um excelente acrobata, sua inexperiência em combate quase lhe custou a vida. Batman então, compreendendo melhor do que ninguém o desejo do garoto de encontrar o assassino, decide treiná-lo para evitar que corra riscos desnecessários. E mais importante ainda: revela sua verdadeira identidade. Ciente do que o ódio e vingança são capazes de fazer com alguém, o Homem-Morcego vê em Dick a chance de, em suas próprias palavras, "ajudá-lo a lidar com sua perda...e guiá-lo para que se torne um homem melhor".


A arte de Sale mais uma vez adequa-se perfeitamente ao clima proposto pelo enredo e aproveito para destacar o brilhantismo de composição na edição #5 - Órfãos, na qual vemos em certo ponto um paralelo muito bem bolado entre Dick e um flashback de Bruce, ambos ainda abalados pela morte de seus entes queridos. Embora essa obra não tenha atingido o nível de excelência de O Longo Dia Das Bruxas, talvez até mesmo pelo fato de depender desta leitura anterior, ainda assim é uma história essencial para fãs de Batman e quadrinhos em geral.



- Laís

15.7.12

"Tinha dois caras no hospício..."

"Olá, eu vim conversar. Estive pensando muito ultimamente. Pensando em você... E em mim. Sobre o que vai acontecer com a gente no fim. Vamos matar um ao outro, não? Talvez você me mate, talvez eu te mate. Talvez mais cedo, talvez mais tarde."

GABRIEL A. PEREIRA apresenta
A PIADA MORTAL

"A Piada Mortal", escrita pelo falastrão de merda quando o assunto são adaptações e prelúdios, mas gênio quando escrevendo um roteiro; Alan Moore (conhecido por obras-de-arte como "V de Vingança" e "Watchmen") com arte de Brian Bolland, foi lançada em 1988, um ano antes do primeiro filme do Homem-Morcego surgir, e foi uma das maiores inspirações para o longa-metragem de Tim Burton. Hoje, a graphic novel é considerada um dos maiores clássicos de Batman, juntando-se à "Ano Um" e "O Cavaleiro das Trevas", ambas de Frank Miller, quando ele ainda tava bom da cabeça.

O enredo de "A Piada Mortal" é simples, sendo sua filosofia o maior atrativo da obra. A HQ nos apresenta a um Batman já cansado de combater o mastermind do crime Coringa, e se dispondo a levar uma calma conversa com o Palhaço do Crime sobre seus devidos destinos. Entretanto, Batman descobre que o Coringa, mais uma vez, escapou do Asilo Arkham e capturou o Comissário Gordon. Agora, Batman precisa deter seu arqui-inimigo antes que o mesmo passe dos limites com suas cruéis atrocidades.

Já aviso que, ao contrário da minha resenha de "Ano Um", não pretendo fazer dessa postagem uma muito extensa, já que "A Piada Mortal" é uma história curta e prefiro evitar spoilers. O roteiro de Alan Moore intercala a trama principal com uma paralela, que aos poucos revela-se como um prelúdio que complementará o desenvolvimento e entendimento do leitor sobre os dois personagens principais, principalmente o antagonista.

A história definitivamente muda TODOS os personagens apresentados nela em seus psicológicos, e é basicamente sobre isso que a filosofia da obra se trata; psicologia. Falando sobre os limites do homem comum e o que o separa de cair no abismo escuro da insanidade, essa é uma poderosa HQ capaz até mesmo de mudar ideias, ou plantá-las. É nessa filosofia que o confronto moral entre Batman e Coringa se estabelece, enquanto um tenta provar para o outro que enlouquecer é a melhor saída para qualquer problema, o outro se defende com uma couraça racional e uma mente sólida que nem mesmo barganha.

Esse é o ponto mais interessante do Batman, o quão forte ele é. Não apenas fisicamente, mas o modo como sua mente aguenta manter-se fixada na racionalidade e no que é certo (o Batman calejado que vemos nos últimos minutos do longa "O Cavaleiro das Trevas"), mesmo sabendo que extrapolar seria fácil demais. É isso um dos principais fatores (entre vários outros) que fazem do Cruzado de Capa um personagem tão magnífico e único.

A arte de Brian Bolland é bastante detalhosa e se faz notar com o excelente trabalho do desenhista em sombras e expressões, além da impecável divisão dos quadrinhos que, somada às narrações de quadro, me fizeram imaginar um filme com trilha sonora e tudo quando chega o momento do confronto final. Esse é um dos grandes poderes desta eficiente obra-de-arte, ela te joga dentro daquele universo sombrio à nível de vivenciamento. Agora, já não posso comentar sobre a coloração da graphic novel, pois a edição que possuo é completamente em preto e branco.

Bom, como eu disse, resenha curta. Isso é tudo que eu tenho pra falar sobre "A Piada Mortal", minha graphic novel preferida do Cavaleiro das Trevas. Essa história prova que enredos complexos são totalmente dispensáveis quando se quer fazer algo que interesse e penetre a cabeça das pessoas. Afinal, o que temos aqui? Fuga do asilo, sequestro do policial e dois loucos se surrando até um final sugestivo. Básico! Ah e, aliás, vão se acostumando com as críticas de Batman recebendo nota máxima por aqui.

Nota: 10,0

4.7.12

Análise - O Longo Dia Das Bruxas


Originalmente escrita como uma minissérie em 13 partes em 1996, a história O Longo Dia Das Bruxas (The Long Halloween) é considerada por muitos outra das grandes obras primas escritas sobre Batman. Com a arte de Tim Sale e os roteiros de Jeph Loeb (conhecido por ter escrito outras obras de qualidade duvidosa, mas com tendências a fazer um ótimo trabalho quando realiza parcerias com Sale), serviu fortemente de inspiração para o aclamado Cavaleiro das Trevas de Nolan, bem como Batman Begins.




Na história, passada no início da carreira de Batman (aproximadamente 6 meses após os eventos de Batman: Ano Um), inicia-se uma série de assassinatos de importantes membros da máfia, mas com uma peculiaridade: todos assassinatos são cometidos nos feriados, sendo que o autor do crime sempre deixa no local um objeto relacionado com a data em questão. Ao mesmo tempo as tensões aumentam entre as duas maiores famílias mafiosas de Gotham, as famílias Falcone e Maroni. Este é justamente um dos grandes diferenciais da obra e também sua dose de realismo: conferir um maior destaque não aos tradicionais super-vilões, mas sim às organizações criminosas e um possível serial-killer. 



Um dos pontos de destaque é o desenvolvimento de Selina Kyle, a Mulher-Gato. Mais do que servir apenas como interesse romântico do Homem-Morcego, suas atitudes de moral controversas acabam sendo em parte motivados por certas ligações pessoais com a máfia, ligação esta que é mais explorada em uma das continuações da história, Mulher-Gato: Cidade Eterna (lançada recentemente em um encadernado pela Panini). Mas talvez o maior destaque de um personagem secundário da obra seja o promotor público Harvey Dent. Engajado no combate ao crime organizado, às custas de seu tempo com família e amigos, acaba tornando-se um dos principais aliados de Batman juntamente com Jim Gordon. Contudo, sendo Gotham a cidade corrupta e perigosa que é, esquemas resultam no acidente que não só deformou sua aparência mas também sua mente e caráter, transformando-o no vilão Duas-Caras.




A elogiada arte de Tim Sale se encaixa perfeitamente na proposta do enredo, representando uma cidade fria e com um clima que remete ao noir. Em especial, as páginas em preto-e-branco que ressaltam em cores apenas um elemento são espetaculares.

A trama se desenrola de maneira instigante e inteligente, apesar das pistas fornecidas ao leitor serem insuficientes para desvendar o mistério antes de sua conclusão. Uma das principais críticas à obra foi o fato de ter utilizado vários vilões da galeria de inimigos do Batman de forma secundária e superficial, contudo, acredito que foi uma maneira de incorporar outros elementos próprios da mitologia do Morcego à história, bem como uma forma de retratar Gotham como uma cidade que tem que lidar com os mais diversos tipos de criminosos. O fim, com algumas pontas soltas, abre espaço à algumas diferentes interpretações e à uma outra continuação relacionada: Vitória Sombria. 


- Laís