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2.2.13

"O Lado Bom da Vida" cumpre o dever de ser bonito e divertido.

Ahhh poupai-vos da introdução, vamos à crítica!

O BIELL DE BOTAS apresenta
O LADO BOM DA VIDA 

Em "O Lado Bom da Vida" (Silver Linings Playbook, 2012) nos é contada a história de Pat Solitano (Bradley Cooper), um ex-professor substituto de história que acaba de sair de um hospital psiquiátrico e anseia para reatar o relacionamento com sua mulher, Nikki (Brea Bee), mesmo sendo proibido de vê-la por restrição legal. Quando Tiffany (Jennifer Lawrence), uma garota conhecida de seu melhor amigo, oferece a Pat uma chance de barrar a restrição e se comunicar com Nikki contanto que ele seja seu parceiro em um concurso de dança, ele não consegue deixar de aceitar, vendo seu grande final feliz se aproximar cada vez mais.

Yup, yup, yup, pra você que leu a minha crítica do livro de Matthew Quick, o sobrenome de Pat no filme é Solitano, e não Peoples. Nop, nop, nop, eu não faço ideia do porque desta mudança, e já que já mencionei isso, falemos de como o filme adapta o livro. Primeiramente, quem leu o romance terá uma reação estranha a algumas partes do filme, mas o fato é que se trata de uma adaptação muito bem feita; alguns acontecimentos são trocados de lugar para não estender demais o longa (que, sendo uma dramédia, não pode ser tão comprido), o modo como o futebol americano é tratado é bastante manerado, Tiffany é melhor explorada, e a maioria dos personagens recebem excelentes caracterizações e interpretações.

Bradley Cooper e Jennifer Lawrence são definitivamente os donos da cena, com atuações fortes e uma química perfeita, mas é claro que o mestre Robert De Niro - que interpreta o pai de Pat - não se deixa ser ofuscado. Chris Tucker também chama a atenção como Danny, o amigo de Pat do hospital psiquiátrico, e não se pode imaginar ninguém melhor que ele para o papel. 

A fita é uma dramédia muito divertida que balanceia perfeitamente seus momentos de drama e de comédia, e o tom do filme é tão simpático que o faz até parecer curto ao final da projeção, em seus 122 minutos de duração. O roteiro utiliza de todos os quesitos disponíveis para divertir o público; o relacionamento entre os dois protagonistas malucos, o futebol, a família, as amizades, e até mesmo a tentativa de Pat de recuperar sua ex-esposa.

A trilha sonora é magnífica! David O. Russell a aplica à sua obra de modo comparável a como Tarantino costuma fazer com seus filmes ultra-violentos, transmitindo o sentimento adequado de cada cena. Ela é composta por canções como "My Cherie Amour", de Stevie Wonder; "Girl From North Country", de Bob Dylan e Johnny Cash; "Silver Lining", de Jessie J (tema do filme), entre outras ótimas. Até Danny Elfman marca sua presença com algumas faixas instrumentais na trilha.

David O. Russell faz um ótimo trabalho na direção do filme, com dinâmicas de câmera e também incrível orientação do elenco, o que se faz notar bastante, por exemplo, em uma cena de discussão entre a família de Pat. O longa também tem uma ótima fotografia e iluminação, especialmente na cena do concurso de dança. 

O roteiro do filme avança talvez de uma forma diferente do livro, já que pode-se dizer que o livro não trabalha tão bem Tiffany quanto o filme faz. Uma vez que o livro é narrado sob a perspectiva de Pat, muito se fala sobre Nikki, Nikki e Nikki, sendo que o clímax da história é mais ligado à Tiffany. O filme consegue trabalhar Tiffany de modo melhor, sem esquecer a obsessão de Pat por Nikki. Por outro lado, o livro desenvolve melhor o relacionamento de Pat com seu irmão, amigos e o terapeuta Cliff Patel, que não se sobressai na fita. Mas enfim, não estou aqui para comparar o modo como duas artes diferentes exploram um enredo e sim para resenhar um filme.

"O Lado Bom da Vida" (Silver Linings Playbook, 2012) é mais divertido do que se pode esperar, e também lindo e inspirador. Ótimas atuações, ótimo roteiro, ótimas músicas e ótimos personagens recheiam esta ótima adaptação, que recomendo a todos que procuram por um bom filme divertido, artístico e bastante original.

Nota: 10,0

17.1.13

"O Lado Bom da Vida", de Matthew Quick, é extraordinário!

"Para pessoas diferentes se darem bem, basta o gosto comum por um time e um pouco de cerveja"


O BIELL DE BOTAS apresenta
O LADO BOM DA VIDA
de MATTHEW QUICK

"O Lado Bom da Vida" conta a história de Pat Peoples, um ex-professor de história que acaba de sair de um hospital psiquiátrico e anseia para que o tempo separado que combinou com sua mulher, Nikki, logo termine. Porém, ao voltar para a casa de seus pais, tem um relacionamento instável com a família e o modo como as coisas mudaram o faz perceber que ficou muito mais tempo no hospital psiquiátrico do que imaginava, e que há vários buracos em sua memória. Isso ameaça seu reencontro com Nikki, e mesmo acreditando com toda a sua força em finais felizes, tudo muda quando conhece uma garota igualmente perturbada chamada Tiffany.

O livro é narrado em primeira pessoa, do ponto de vista de Pat, e no presente, o que é realmente ousado da parte do autor, já que uma narração dessas é difícil de se escrever e muitos não sabem completamente como usá-la (eu, por exemplo, não aguentei ler mais que um capítulo de "Jogos Vorazes" por conta disso). Mas felizmente, Matthew Quick faz muito bom uso desse tipo de narrativa e o livro não se torna chato nem parece difícil de ler. Muito pelo contrário, é uma leitura agradável, uma história muito bem escrita do ponto de vista de um personagem extremamente carismático.

Ainda abordando a escrita, ressalto que esse é o primeiro livro em que não encontro sequer um erro de tempo ou ortografia - e considerando que foi escrito no presente, seria ainda mais fácil escorregar e escrever uma sentença no passado, erro bastante comum. 

Agora vamos aos personagens; como já relatado ali em cima, Pat é um personagem muito carismático. Sua perseverança e o poder de sua força de vontade fazem com que o leitor compartilhe de sua crença em finais felizes e torça por ele, e quando há um certo plot twist, queremos apenas que ele encontre sua desejada paz. Tiffany também tem seu charme, mas é trabalhada de uma forma bastante diferente do protagonista (afinal a história é contada do ponto de vista dele). Na família de Pat, seus pais são dois personagens muito bem desenvolvidos que realmente atiçam nossa curiosidade.

Um dos personagens mais legais do livro é o terapeuta de Pat, o dr. Cliff Patel, com quem o mesmo cria um relacionamento forte, já que vê bastante otimismo e afeto no doutor. Ele também conquista o leitor e  o modo como ele trabalha com Pat mostra-se interessante, o que inclui o time de futebol americano pelo qual ele e sua família são fanáticos; os Eagles - e esse é, aliás, um ponto bastante importante na história.

Devo destacar que esse é o livro que terminei mais rápido, tendo o lido em quatro dias (normalmente sou muito lento pra ler), e deixo esse atestado mais pessoal só para acrescentar que a história te suga com todas as forças e te faz querer ler e ler para saber o que acontece depois, e com uma imprevisibilidade incrível, não se sabe se o final de Pat será feliz ou triste até que a última linha seja lida. Há muitas cenas simbólicas e marcantes no romance, e uma dinâmica bastante criativa do autor em um capítulo específico, o que só o torna mais e mais agradável.

"O Lado Bom da Vida" é um livro que deixo recomendado para qualquer um, basta não ter nada contra ler. É uma história promissora e emocionante, movida por personagens excelentes com dinâmicas divertidas e bem exploradas. É uma história sobre um homem feliz e forte o suficiente para lutar por suas crenças, o que o leva à questionamentos sobre a realidade e entre outras coisas. Aguarde pela crítica do filme, estrelado por Bradley Cooper e Jennifer Lawrence, que certamente estarei na estreia para conferir!

Nota: 10,0