2ª Premiação Anual Lagarto de Ouro

Confira os candidatos e dê sua opinião sobre os melhores filmes de 2012!

LagARTÍSTICO #7: Diamonds Are A Girl's Best Friend!

A sétima edição do quadro LagARTÍSTICO traz uma galeria da eterna diva Marilyn Monroe!

Hitman: Absolution

O Assassino 47 está de volta, saiba a nossa opinião sobre o novo jogo!

BL Clássicos

Leia duas novas críticas no quadro BL Clássicos: "The Misfits" e "How to Marry a Millionaire".

14.10.11

Max Payne está exausto com o mundo... E agora procura pela verdade... E uma saída.

Max Payne volta em seu terceiro jogo como um ex-policial que se torna segurança particular de uma família rica ameaçada por bandidos da cidade de São Paulo, Brasil.

Careca, deprimido, nervoso e o pior de tudo, sedento por vingança, Max Payne retorna em seu terceiro jogo como um ex-policial que se torna segurança particular de uma familia rica ameaçada por bandidos e traficantes de uma cidade que conheçemos muito bem por ser meramente familiar: São Paulo.


No mês de Outubro, o primeiro in-game footage trailer da Rockstar Games saiu. Quando vimos e analisamos (e logicamente, depois de desfalecermos) pudemos tirar uma breve conclusão: A Rockstar Games vai testar a si própria novamente, e irá nos testar também, botando sua personalidade e vocação como um "dentro-da-lei" em contínuo treinamento.

Podemos ver, logo de cara que Max está mais velho e acabado do que nunca, por ter largado seu emprego e estar mergulhado no álcool, M. Payne não vê mais esperanças até ser contratado por essa família que esta ameaçada por favelados e lhe pede favores como se ele fosse um "guarda-costas".


De uma forma mais detalhada, o jogo se passa 12 anos depois de Max Payne 2, que após ser demitido da New York Police Department (NYPD) ele se muda para o gueto de São Paulo, tentando fugir dos seus traidores do passado. Porém, oque ele não espera é que ele foi traido novamente, e agora, cansado de fugir (por estar de mal à pior), ele dá um basta nisso tudo e começa procurar pela verdade e uma saída, oque leva ao decorrer do enredo no jogo.

Segundo a Rockstar Games: "Este é Max como nós nunca o vimos antes, alguns anos mais velho, mais exausto com o mundo e mais cínico do que nunca.". De acordo com a Eurogamer, Max Payne usara os motores de jogos da Rockstar Advanced Game Engine (RAGE) e Euphoria - Natural Motion (Grand Theft Auto IV / Red Dead Redemption / Star Wars and the Force Unleashed e Agent).

A seguir veja o vídeo do primeiro trailer de Max Payne 3 disponível no site oficial do jogo da Rockstar: www.rockstargames.com/maxpayne3. O jogo não está somente restrito as favelas do jogo, e sim tanto nos guetos, suburbio, na cidade e nos becos da cidade.

Como uma conclusão final dessa previsão, esperamos muito desse novo jogo, como todos os outros jogos da Rockstar Games nos surpreenderam, esse com certeza será mais um (ainda mais tendo o Brasil como plano de fundo). Veja aqui oque temos de pontos positivos que provavelmente dará um toque muito mais vantajoso ao jogo:

+ O fato de ter sido feito pela Engine Euphoria, criadora de GTA IV e RDR, a física, o comportamento (inteligência artificial / IA) e os gráficos são magníficos.

+ O fato de não ser mais o escritor Sam Lake (Remedy Entertainment), criador de Max Payne I, II e The Fall of Max Payne, para passar a ser escrito pela Rockstar.

+ O fato de ser um dos poucos jogos da Rockstar a se passar em um país diferente dos Estados Unidos ou Europa, como de costume, para passar a ser jogado em um país que oferece uma experiência única para tipos de jogos como este (Brasil, claro!)

Bem, finalizando, assistam ao primeiro trailer de MAX PAYNE 3 e divirtam-se:


This Is São Paulo my Brother...

13.10.11

F5: THIS IS BRAZIL!

Velozes e Furiosos 5: Operação Rio é o melhor filme da franquia reunindo todos os outros personagens anteriores para um roubo milionário de 100 milhões de dólares.

Fast Five é simplismente aquele tipo de filme, que você começa a pensar: "como os americanos são capazes de fazer um filme que retrata melhor a realidade brasileira do que o próprio Brasil", sim claro que Tropa de Elite foi um filme genialmente épico em proporções brasileiras, mas Fast Five deu muito mais do que isso. Ele não só incorpora a vida nas favelas e nos subúrbios como também mostra como os próprios criminosos e os foras-da-lei interagem nesse mundo.

Temos Brian O'Connor e Dom Toretto novamente nesse novo filme. Após Dom ter sido preso, seus camaradas resolvem planejar uma fuga para o grande careca piloto de rachas de toda a America. Depois que eles conseguem escapar, eles fogem para o Rio de Janeiro, querendo começar uma vida diferente, longe de toda a confusão, mas quando um grande empresário e dono de negócios começa a manipular as favelas do Rio de Janeiro para interesse próprio. Dom e Brian serão sua ameaça mais perigosa.

O filme vem com um português impecável, a cultura brasileira e seus costumes estão inteiramente presentes no filme, como se trata-se de um blockbuster que contasse exclusivamente a história do Brasil. Paul Walker, Vin Diesel e Dwayne Johnson aterrorizam a cidade mais exótica do mundo: Rio de Janeiro.



Porém, nem tudo é uma beleza, apesar de a história do filme se passar inteiramente no Brasil, as filmagens ocorridas no Rio são mínimas, rápidas e simples, a maioria do filme se passa em Porto Rico, que de certa forma, tem a mesma cultura que a nossa.

Além de tudo, o filme deixa de ser aquela coisa do tipo "carro, carro, carro" para virar " pegue esse carro e enfie ele num trem, depois pule nesse carro enquanto escapa de ser morto esmagado por uma ponte e depois com o mesmo carro pule de um penhasco". Em outras palavras, o filme é mais gênero ação do que de corrida, oque melhora e muito a franquia.

É facil de perceber as diferenças entre nós, os cariocas e os porto riquenhos, mas fazer oquê? É uma lástima saber de tudo isso. Mas oque realmente importa é que o filme é por toda a certeza, um dos melhores filmes da franquia e sem estar "enchendo muita linguiça", provavelmente é um dos melhores do ano.

Nota: 9.7
Pontos positivos: + ação, + enredo, + fluibilidade, - corridas, - enrolação
Pontos negativos: - Brasil (afinal o filme se passa nesse pais! Onde ele foi parar?)

12.10.11

BATTLEFIELD 3 - Sua Arma... É seu brinquedo

Battlefield 3 = Efeito Dominó

Beleza, você é aquele tipo de pessoa que fica irritado quando não passa de uma fase na dificuldade Veteran e vai na louca e quando pensa que está funcionando desse modo, morre porque a facada não quis funcionar? Ou aqueles que estão jogando no Gun Game de Black Ops e quando estão chegando perto de vencerem, são mortos por aquele cretino de ballistic knife que deu respawn na sua frente de uma maneira magicamente maldita? Certo, certo, então saiba que em Battlefield, se você errar um movimento, ou não souber usar a cabeça, será o primeiro do seu Team que vai ser pipocado e balançar no chão


Battlefield 3 volta depois de anos, quando seus subistitutos spin-offs Bad Company 1 e 2, além das DLCs tomavam as lojas, psn e LIVE, o FPC (ou simulador, como poderiamos denominar Battlefield por percorrer um caminho alá Op. Flashpoint em questões REALISMO) que obrigava o jogador a pensar em seus movimentos (difícil em jogos onde o único objetivo é estourar os miolos dos inimigos, diferentemente de Fallout, ou aqueles RPGs que são necessários quase 100 horas ou mais para completar 25% do que o jogo lhe proporciona)

Vimos os os gameplays, demos e as notícias da Eletronic Arts e DICE e podemos afirmar (para falar a verdade, nem precisaríamos, pois quem já viu alguma imagem ou vídeo sabe muito bem disso) que a Frostbite² está realmente intensa em questões de textura, amplitude, poder de torrar a memória de seu console. A Dice caprichou muito na Engine de seu próximo Blockbuster.



BF3 conta com mapas muito mais extensos tanto em singleplayer (também podemos incluir a Campanha nisso) como em multiplayer. O modo Campanha não tem sua história restrita apenas em um único conflito, sendo muito contraditória e paradoxa, passando pelo Oriente Médio, Europa e EUA. O jogo, em uma de suas missões, pede ao jogador que ajude seus team "mates" a atravessar uma das cidades do Oriente Médio: Curdistão. Enquanto a outra dela já exprime uma idéia de vasticidade quando vemos soldados lutando contra seus inimigos dentro de um tanque repleto de equipamentos de mísseis, torpedos, metralhadoras e "predators". Não se consegue ver o limite da área onde se joga, muito menos onde os inimigos se encontram.

No modo multiplayer ainda predomina as quatro classes originais do Battlefield, incluindo a de Engenheiro, médico entre outras, porém recebeu muitas melhorias, como a de incluir equipamentos mais detalhados e complexos para cada classe que o jogador especifíco possa usufruir da classe que mais preferir.

Karl-Magnus Troedsson, da DICE, critica a falta de criatividade de seus concorrentes, e estão muito confiantes, que, competindo com si próprios, gastarão tempo e dinheiro em algo definitivamente que irá levar o consumidor as alturas, sendo em caças, tanques, na agua, na terra ou no ar.

Bem, finalizando, Battlefield é aquele tipo de jogo efeito Dominó. E como na vida real, toda ação... Terá uma reação no final. É regra!

Nota: 9.5
+ Ação + Intenso + Aventura + História
- bugs - lags

10.10.11

"A Hora do Espanto" ressucita não só os bons e velhos vampiros, mas também o gênero terror

A HORA DO ESPANTO


Depois de um bom tempo descansando em seus caixões, os vampiros voltaram à moda cinematográfica com "Crepúsculo"(Twilight, 2008), mas voltaram não tão assustadores como antes. Enquanto nos filmes de antigamente, vampiros e lobisomens eram criaturas diabólicas que causavam medo e pesadelos, agora eles se tornaram motivo de adoração de garotas adolescentes só pelos atores que os interpretam ou motivo de chacota para as pessoas com mais senso crítico. Enquanto a saga dos vampiros purpurinados chega ao fim, novas versões surgem. "Padre"(Priest, 2011) tenta apresentar vampiros animalescos, sem alma e sem cérebro, mas falha. "Deixe-Me Entrar"(Let Me In, 2010) mostra-se um ótimo filme(um dos meus preferidos do gênero, aliás) mas não tem o suficiente para conquistar o público "old school" dos vampiros de volta. Mas, quando assisti ao trailer de "A Hora do Espanto"(Fright Night, 2011) durante uma sessão de "Premonição 5"(Final Destination 5, 2011), eu vi algo que realmente poderia trazer os bons e velhos vampiros de volta ao cinema. É claro que eu não iria conferir este remake sem antes assistir à obra original, então me apressei para ir à locadora e alugar o antigo filme. Assisti e adorei. Agora era só esperar para conferir a nova versão, e valeu a pena esperar.
Charley(Anton Yelchin, o Kyle Reese de "Exterminador do Futuro: A Salvação") é um garoto estudante do ensino médio que se encontra num relacionamento estável com sua namorada Amy(Imogen Poots), mas em uma situação complicada com seu ex-melhor amigo Ed(Christopher Mintz-Plasse, o Red Mist de "Kick-Ass"). Tentando negar seu passado nerd para se tornar popular na escola, Charley consegue um namoro ascendente com Amy mas uma amizade decadente com Ed. Mas, a vida de Charley realmente muda quando conhece seu novo vizinho, Jerry(Colin Farrell), que é acusado por Ed de ser um vampiro. Tal coisa soa como um absurdo e isso basicamente destrói a relação entre os dois. Porém, quando os desaparecimentos de pessoas começam a se ligar cada vez mais à ele mesmo e ao vizinho Jerry, Charley resolve investigar e descobre que o que Ed dizia não era nenhum absurdo. Antes que você leitor ache que estou contando muito sobre o filme, tudo isso é mostrado no trailer, então oficialmente não estou dando nenhum spoiler. Quando Jerry se dá conta de que Charley está espionando-o, o vampiro caça o estudante maniacamente e sua família também.
Vamos começar ressaltando algumas diferenças entre o original e o remake, mudanças importantes para atualizar a história e os personagens. Enquanto no longa antigo Charley era um garotinho medroso e desesperado para que alguém acreditasse nele, nesta fita, o protagonista é corajoso e está disposto à buscar pela verdade por si próprio de forma mais inteligente, e seu amigo Ed(que no primeiro longa era um fanático pela mídia sobrenatural) é quem tenta desesperadamente fazer com que Charley acredite nele. A mãe de Charley, interpretada por Toni Collette, tem muito mais participação neste filme do que no original, o que achei muito legal, pois a caça soa bem familiar no primeiro ato do filme. A namorada Amy é quem o protagonista está sempre protegendo, e tem participação importante na trama. O Grande Matador de Vampiros, Peter Vincent, que no filme original era um ator e apresentador de programas sobre vampiros e monstros, aparece muito mais atualizado nessa versão; Um mágico ilusionista, claramente inspirado no famoso Criss Angel. O Peter Vincent da nova versão tem certas semelhanças com o original, como sua covardia, mas também tem muitas diferenças que podem ser notadas já no trailer do filme, como seu modo peculiar de se vestir, o alcoolismo e o fato de ser mais jovem. O mágico tem uma relação passada com o vampiro Jerry, mas esta é apresentada e tratada de modo tão superficial que poderia ser ignorada. Talvez, se melhor explorada, poderia soar melhor nas telas, mas do modo que o filme apresenta é totalmente dispensável. Por falar em Jerry, este é o grande destaque do filme. Colin Farrell interpreta um Jerry com muito mais personalidade que o interpretado por Chris Sarandon no original. Enquanto o vampiro de Sarandon tentava ser mais charmoso e se adaptar mais normalmente à sociedade para provar à todos que Charley tenta convencer de que ele é um vampiro o contrário, o Jerry de Farrell age de uma forma mais provocativa e irônica, principalmente em seus primeiros diálogos com o protagonista. Colin Farrell cria um vampiro sociopata, sedutor, animalesco, sombrio e irônico, até em seu tom de voz, que é uma das características que transmitem bem sua ironia e sua provocação. Jerry também se mostra bastante manipulador quando necessário, e é ciente de seus poderes, utilizando-os muito bem ao longo do filme. Tanto os sobrenaturais quanto os sedutores.
O filme se mantém fiel ao original e apresenta o vampiro de um modo bem clássico; Temendo crucifixos, não aparecendo em reflexos de espelhos, morrendo com estacas no coração, precisando ser convidado para entrar na casa de alguém(O que é muito melhor explorado neste filme do que no antigo) e acima de tudo: Queimando no sol. Não brilhando no sol, QUEIMANDO no sol. O tom do filme também apresenta os subúrbios de Las Vegas como um local adorável de se viver durante o dia, mas sombrio e perigoso durante a noite. A cinematografia do filme faz do mesmo uma obra bem obscura, e quanto à fotografia, as cores não são muito destacadas, mantendo o tom sombrio do filme. Há MUITO sangue, como deve ser feito num filme de vampiros, mas a coloração vermelha não é tão forte quanto em "Premonição 5", pelo contrário, o vermelho do sangue aparece bem escuro. O suspense é bastante presente no filme sim, mas não é a chave. As coisas se atualizam, o filme antigo apostava no suspense para assustar aos espectadores. Aqui, o suspense é sim muito bem utilizado quando aparece, mas a ação é o que chama a atenção de verdade. A tensão da caçada, as ótimas cenas de ação entre Jerry e os protagonistas. Os efeitos especiais são muito bons, não há o que botar defeito. Não são extravagantes, mas também não partilham da falta de qualidade que alguns filmes vem mostrando ultimamente. Já o 3D é mediano. Os efeitos são muito bem aplicados sim, você realmente sente as coisas vindo na sua cara(de forma utilizada para não afetar a experiência de quem vá assistir o filme em 2D), mas como o óculos 3D diminue a iluminação e muitas cenas de ação do longa se passam durante a noite ou em ambientes escuros, isso atrapalha na imagem. Prefira a cópia em 2D do filme.
A trilha sonora é forte e penetrante, mas em muitos momentos é bem genérica. Não é nada marcante como deveria ser(O tema do filme original é muito mais memorável), mas inegavelmente acrescenta muito à experiência durante as cenas de suspense e ação. Ainda sim, deveria ter sido melhor composta, o que não era esperado do compositor da trilha de "Homem de Ferro"(Iron Man, 2007), que é ótima. Quanto ao humor do filme, funciona muito melhor do que no original, mas ainda é leve. Pelo menos eu não consideraria esse filme uma obra de terror/comédia, achei "Pânico 4"(Scream 4, 2011) muito mais engraçado nesse aspecto. Mas claro, isso varia para cada um. O filme é muito menos sensualizado que o original(Lembre-se que se trata de um filme da Disney), mas é claro, não se esquece do lado sedutor dos vampiros. O terror é muito mais presente neste filme do que no original também. O original continha um suspense de matar, mas este utiliza muito mais os sustos e cenas horripilantes para conquistar seu público(Um sujeito não conseguiu comer sua pipoca e me ofereceu o saco cheio ao final da sessão), ressucitando também o verdadeiro gênero do terror.
Conclusão Final: "A Hora do Espanto"(Fright Night, 2011) devolve ao cinema os vampiros do jeito que eles devem ser: Selvagens, sedutores e manipuladores. Com direito à ótimas atuações, efeitos especiais e cenas de ação empolgantes, o filme é um prato cheio para aqueles que procuram uma experiência divertida e assustadora. O longa peca apenas por apresentar muito superficialmente a relação entre Peter Vincent e Jerry e por sua trilha sonora pouco memorável, mas é um filme obrigatório para todos os fãs de crônicas vampirescas ou do gênero terror em si. Recomendado!

Nota: 8.7

8.10.11

"Sucker Punch: Mundo Surreal" é um espetáculo sensual, visual e musical

SUCKER PUNCH
MUNDO SURREAL



Zack Snyder vem surpreendendo Hollywood com seu estilo radical de fazer filmes. Desde "Madrugada dos Mortos"(Dawn Of The Dead, 2004), remake muito bem recebido do clássico de George A. Romero, Snyder vem sendo elogiado e se encontra em carreira ascendente. Escancarou as portas do sucesso em 2006, com "300" e desde então se mostra um diretor muito competente e que chama a atenção principalmente por suas cenas de ação, os visuais e o cenário. "Sucker Punch: Mundo Surreal"(Sucker Punch, 2011) é seu primeiro longa-metragem baseado num conceito próprio, e é simplesmente excelente.
O filme narra a história de Babydoll(Emily Browning, toda crescidinha), uma pequena garota cuja a mãe morre e deixa a herança inteira para ela e sua irmã. O padastro ganancioso não aprova a ideia e faz com que, acidentalmente, Babydoll mate sua irmã. Baby é então internada num hospício por seu padastro, onde conhece Rocket(Jena Malone), Sweet Pea(Abbie Cornish), Amber(Jamie Chung) e Blondie(Vanessa Hudgens), quatro companheiras que decidem ajudar para que Babydoll fuja do hospício antes que Blue(Oscar Isaac) entregue-a para High Roller(Jon Hamm).
O filme é dividido em três segmentos, ou dimensões. Estes são: O Hospício, o Teatro e a Imaginação de Babydoll. Os três desfrutam de técnicas de fotografia e cinematografia diferentes para cada um. Durante as cenas decorrentes no Hospício, a fita é mais descolorida e sombria. No Teatro temos uma coloração maior que dá mais enfoque para cores quentes como o vermelho e seus derivados, e na Imaginação de Babydoll há quatro mundos fantasiosos que também usam manipulações de cor diferentes. O primeiro, chamado "Feudal Warriors", destaca o azul e sua frieza. O segundo, "The Trenches", procura destacar mais o cinza, beje e marrom numa mistura que nos engloba dentro do clima de guerra da dimensão. No terceiro, "Dragon", o laranja se sobressai e "Distant Planet" engloba um pouco de cada um dos anteriores, sendo as cores em questão o verde, laranja e o azul.
O filme inicia no Hospício e então, passa para o Teatro. Emily Browning faz uma forte interpretação, deixando clara a evolução de sua personagem com o desenvolver da trama. Babydoll é no início apenas uma garotinha ingênua, inocente e frágil, mas o quanto mais seus inimigos a martelam, mais ela se fortalece. Jena Malone e Jamie Chung são as mais carismáticas do elenco coadjunvante e suas personagens, Rocket e Amber, são as mais leais e dispostas a seguir Babydoll em sua fuga. A novata Abbie Cornish surge malhada e faz bem no papel da relutante Sweet Pea, provavelmente uma das melhores atuações e a personagem que mais chama a atenção do espectador ao longo do filme. Vanessa Hudgens faz uma apresentação mediana como Blondie. A ex-atriz-teen protagoniza algumas cenas de ação empolgantes mas não parece totalmente confiante com sua personagem. Nas cenas mais emotivas, Hudgens faz muito bem o trabalho. Já nas menos emotivas, seu nível de atuação cai. Mas nada que atrapalhe na diversão do espectador. Oscar Isaac se faz notar como o vilão ganancioso e sociopata Blue, especialmente nos momentos finais do filme. Irônico, um tanto carismático e estiloso, Isaac encarna o vilão de forma digna. Scott Glenn aparece como um sábio velho que sempre está guiando o grupo de garotas para que possam realizar sua fuga, e em cada mundo fantasioso, Glenn solta bonitas e inspiradoras frases. Não é explicado ao certo no final do longa o que o personagem de Glenn era, então, cabe à cada espectador imaginar o significado do sábio velho. O blu-ray estendido(não lançado no Brasil) contém mais diálogos entre todos os personagens e mais espaço para que a relação e a química dos tais se desenvolva melhor.
Zack Snyder faz um ótimo trabalho também em relação à trilha sonora do filme, penetrante e viciante. "Sucker Punch" não chega a ser um musical, mas as músicas, presentes em cada camada do longa, são importantíssimas. Acrescentam o clima ideal para cada cena em que aparecem e nos dizem bastante sobre o que está havendo ali, principalmente sobre as personagens. Inclusive, na versão estendida, há um número musical de Oscar Isaac e Carla Gugino divertidíssimo chamado "Love is The Drug", que apresenta-nos o trabalho feito no Teatro. Snyder usa aqui sucessos conhecidos como "Sweet Dreams(Are Made Of This)", "Where Is My Mind?", que são ambas interpretadas pela própria Emily Browning, "I Want it All / We Will Rock You" e entre outras. Cada uma das músicas é tão importante e tão marcante que não se dá pra dizer ao certo qual seria o tema principal do filme.
Os efeitos especiais são nada mais, nada menos que perfeitos. Mesmo não que não tenha sido lançado em 3D, "Sucker Punch" é de cair o queixo e impressiona muito mais do que a maioria dos filmes em 3D. Em blu-ray, a alta-definição deixa a experiência ainda mais deslumbrante, apesar do blu-ray brasileiro do filme ter sido mal-trabalhado. Com os efeitos fantásticos as cenas de ação, que foram muito bem criadas e coreografadas, se tornam ainda mais incríveis, entrando em principal destaque a cena do combate aos robôs em "Distant Planet". A sequência de ação nessa cena abusa bastante do slowmotion e impressiona ainda mais pelo fato de ter sido filmada em apenas uma tomada. Na versão estendida, que tive de baixar no computador para assistir, as cenas de ação de "The Trenches" e "Dragon" são maiores e mostram ainda mais o excelente trabalho dos coreógrafos em criá-las e das atrizes em executá-las. Além da ação embalada, das ótimas atuações e músicas, o filme contem uma importante mensagem em seu triste desfecho sobre luta, liberdade e identidade, que fica ainda mais claro na cena extra contida no blu-ray estendido. Tal cena envolve Jon Hamm e Emily Browning no que é, muito provavelmente a melhor química do filme inteiro, chegando a ser até romântica.
Conclusão Final: "Sucker Punch: Mundo Surreal"(Sucker Punch, 2011) é uma experiência incrível e inspiradora, uma verdadeira amostra da sétima arte em sua melhor forma. Com direito a ótimas atuações, músicas, muita ação e efeitos especiais, o filme fará você se sentir de uma forma que nunca irá se esquecer, e os pouquíssimos problemas apresentados na versão convencional do longa são reparados pela versão estendida, que além disso, traz cenas de ação muito mais empolgantes. Você tem todas as armas de que precisa. Agora lute!

Nota da versão normal: 9.8
Nota da versão estendida: 10,0

23.9.11

"Premonição 5" inova a franquia e a leva para uma direção muito mais sombria

PREMONIÇÃO 5

Depois dos fiascos cinematográficos seguidos que foram "Premonição 3"(Final Destination 3, 2007) e "Premonição 4"(The Final Destination, 2010), era extremamente difícil botar fé neste quinto capítulo da série de terror decadente. Porém, uma luz no fim do túnel apareceu com o trailer extremamente obscuro e se mostrando totalmente diferente dos estilos do filme-desastre que antecede este. O longa foi lançado nos Estados Unidos antes de chegar aos cinemas brasileiros, então corri para o IMDb e o Bloody-Disgusting, e encontrei críticas extremamente positivas - Tanto oficiais quanto de fãs. Foi o suficiente pra levantar minhas esperanças quanto ao filme. Outra coisa que me animou foi logo após ter conferido as críticas, vi que o roteirista do longa era Eric Heisserer, que se mostrou bem criativo no gênero terror com o recente remake de "A Hora do Pesadelo"(A Nightmare On Elm Street, 2010). Então, fui conferir a fita.
O quinto filme da série "Premonição" começa com créditos de abertura extraordinários. Raramente comento sobre esses detalhes como os créditos de abertura, mas a abertura deste filme foi algo épico, tanto pelo visual estético quanto pelo fato de referenciar incidentes ocorridos nos longas anteriores. Além disso, a abertura também nos mostra a grandeza da hipnotizante trilha sonora composta por Brian Tyler, também responsável pelas trilhas de "Rambo IV"(Rambo, 2008) e "Aliens vs. Predador 2"(Aliens vs. Predator: Requiem, 2007). O filme gira em torno de 8 adolescentes que estão à caminho de um retiro integral. O protagonista, Sam(Nicholas D'Agosto, numa atuação mediana que melhora à medida que o filme passa) se vê na difícil dúvida entre seguir seu sonho e abraçar uma boa carreira em Paris como chef de cozinha ou permanecer para ficar com a garota que ama. No momento em que o ônibus do retiro tem de passar por uma ponte em obras, Sam tem uma premonição do que vem a seguir: A ponte entraria em colapso e todos no ônibus morreriam, exceto sua amada, Molly(Emma Bell). Desesperado, Sam faz todos sairem do ônibus à tempo e consegue enganar a morte; Todos os seus colegas sobrevivem. Mas esse pode ter sido o maior erro de suas vidas; A Morte não gosta de ser enganada, e agora virá atrás deles um por um.
Ao contrário do último filme da série, esta fita já começa apresentando efeitos especiais esplêndidos. As mortes ocorridas na premonição de Sam e o colapso da ponte são muito bem feitos, o que já havia sido mostrado e dado o que esperar da cena no trailer do filme. O filme também consegue estabelecer com o espectador uma relação bem delicada com cada personagem, não é um slasher movie qualquer que simplesmente joga seus personagens fora como se não fossem nada. O filme primeiro te apresenta a personalidade e o estilo dos personagens e depois que você já está familiarizado com o tal, a Morte bate na porta deles. Em muitas cenas senti pena pelo personagem que estava para morrer. A mais carismática do elenco jovem é Jacqueline MacInnes Woo, que interpreta Olivia. Entretanto, a melhor e mais interessante atuação do longa-metragem é a de Miles Fisher, interpretando Peter. O personagem é o mais bem construído do filme e a interpretação de Fisher destaca bem a transtorno pelo qual seu personagem passa psicologicamente. Peter anda numa corda bamba, beirando a sanidade e a insanidade, ficando cada vez mais desesperado para sobreviver e tendo sempre que fazer escolhas difíceis que levam à intensa conclusão da história. O filme inova a franquia com a possibilidade de enganar a morte matando outra pessoa, ganhando assim seus anos restantes de vida, o que já havia sido mencionado no trailer. Temos um tom extremamente obscuro e sombrio durante o desenvolvimento do filme, e o diretor Steve Quale mostra a que veio, podendo vir a se tornar um mestre do terror contemporâneo com seu estilo sombrio e sangrento de se fazer um longa de terror. A trilha sonora, como já comentei, é hipnotizante, aparece sempre nos momentos certos. A fotografia do filme é bem comum, porém destaca bastante o vermelho do sangue. A cinematografia é mais chamativa nas cenas noturnas, onde o jogo de luz e sombras é aplicado de forma a deixar o filme mais tenso e sombrio. Aliás, a tensão presente no longa é de matar. Quale se mostra um ótimo diretor de suspense, se você tem um psicológico fraco, pode surtar no cinema. O filme consegue te deixar incrivelmente nervoso e ansioso com o que pode vir à seguir, e as cenas das mortes, ou os ferimentos, não são simplesmente derramamento de sangue. Você sente agonia pelo personagem, e isso funciona muito bem com o desenvolvimento do filme. Raramente comento esse detalhe, mas aqui é inevitável: O 3D de "Premonição 5" é impecável! Sem dúvidas, o melhor 3D de 2011. Os efeitos da tecnologia de três dimensões não são só deslumbrantes como também muitíssimo bem aplicados. O 3D realmente acrescenta muito à experiência que você tem ao assistir o quinto filme da série, em muitas cenas recuei na cadeira. A fita também consegue dar muitos sustos no espectador, e o radicalismo das mortes surpreende e muito. Ao final do filme, muitos fãs da série vão se deparar com uma pequena surpresa e uma ligação direta com o primeiro longa da série. Aliás, a maioria das mortes estão de alguma formas ligadas à outros acontecimentos passados da franquia, e o filme termina com uma certa abertura que pode levar a franquia à uma outra direção que, se bem guiada e devidamente aproveitada, deve dar muito certo. Provavelmente, o maior defeito desse quinto capítulo(que também é o defeito de muitos filmes de terror do tipo) é sua curta duração. Com apenas 92 minutos, o filme parece voar aos olhos do espectador, mas a intensa experiência não deverá ser esquecida.
Conclusão Final: Com cenas intensas, uma boa estrutura e mortes radicais, "Premonição 5"(Final Destination 5) inova a franquia, levando-a para uma direção mais sombria e obscura. Os efeitos são esplendidos, a trilha sonora penetrante e o derramamento de sangue não é economizado por um vilão que ainda vai demorar muito para ser derrotado: A Morte.

Nota: 9,0

18.9.11

"O Vendedor de Armas", de Hugh Laurie, é inteligente e hilário

O VENDEDOR DE ARMAS
DE HUGH LAURIE

Hugh Laurie vem desde sempre se provando um verdadeiro artista completo. Além de um excelente ator, Laurie também realiza trabalhos como diretor, escritor e músico. Quando fiquei sabendo que sua obra literária "O Vendedor de Armas" seria lançada no Brasil, não pude evitar de comprar, e digo-lhes que valeu a pena.
O livro nos apresenta Thomas Lang, um ex-soldado inglês com um humor bem aguçado que recebe uma tentadora proposta de matar um homem chamado Alexander Woolf. Lang recusa a proposta e resolve alertar Woolf de que alguém pretende matá-lo, mas quando se vê envolvido com poderosos diplomatas, um perigoso vendedor de armas e apaixonado pela filha de Alexander, Sarah Woolf, Lang acaba numa baita enrrascada.
Thomas Lang é quem narra a história durante o livro inteiro, e se apresenta bem apropriadamente a nós leitores. Assim também o faz com os outros personagens. David Solomon se mostra um fiel e seguro companheiro/amigo que se preocupa bastante com Lang, mas as relações que realmente chamam a atenção do leitor são com os Woolf e o diplomata Russell P. Barnes. A história gira em torno de um helicóptero até então chamado de "Pós-Graduado" que precisa ser vendido para o suposto combate ao terrorismo, uma verdadeira máquina de matar. Tendo já se envolvido com Alexander Woolf, Lang se apaixona por Sarah Woolf, cuja vida está em risco. Com a vida de Sarah nas mãos de Barnes e o vendedor de armas Naihm Murdah, Lang não tem escolha a não ser fazer o que lhe é mandado.
Em sua narração da história, Lang deixa bem claro o que pensa de cada um dos personagens que nos são apresentados por ele e isso é bem legal, pois você acaba imaginando a personalidade de cada um de modo bem familiar pois isso lhe está sendo contado de uma forma natural e não muito informal, forma que você provavelmente usaria ao descrever alguém. O humor de Lang funciona muito bem, o personagem faz piadas naturais com os outros personagens e muitas vezes com sua própria situação, mesmo sendo esta ruim ou não.
O modo como Thomas descreve as coisas é bem cômico, natural, literal e fácil de se entender. Geralmente o personagem faz piadas com a aparência principalmente de seus inimigos ou de quem não gosta. Os exemplos mais comuns são o "brilho de Murdah" e as rugas de Barnes. Outro detalhe que me chamou a atenção é o quanto Hugh Laurie foi preciso ao descrever os locais e trajetos feitos por seu personagem. Quando Lang está se locomovendo por Londres ou pelo mundo, é descrito cada rua, cada esquina pela qual o personagem passa e geralmente há várias referências de locais próximos. Quando Lang viaja para fora de Londres, ele faz uma excelente descrição do local onde está, como está, e etc.
Os palavrões não são exagerados e contribuem bem para o humor, os tradutores souberam encaixar bem os palavrões "nacionais" para traduzir os "internacionais" no livro. Provavelmente, o maior defeito do livro são alguns erros de ortografia e digitação. Como a estreia de Hugh Laurie, podemos ver que alguns erros derivam de sua própria escrita, mas há também erros em que podemos perceber que foi uma escorregada dos tradutores.
Os capítulos do livro não são grandes, são médios e o modo como a história se constrói e se desenvolve não torna a leitura cansativa. Por outro lado, você tem uma ótima experiência com uma leitura divertida a cada capítulo. Mas é claro, à medida que a história se desenvolve, você vai tendo que colocar a cabeça pra pensar um pouco mais, mas nada é muito complicado. É interessante também como Lang demonstra seu gosto para músicas, filmes, decoração e é claro, armas. As partes de ação e combate no livro são muito bem descritas e te fazem imaginar bem a cena e te envolver nela, especialmente quando se passa uma situação tensa.
Muitos capítulos do livro, ao acabar, vão te puxar para o capítulo seguintes pelo simples fato de você querer saber o que vai acontecer ao seguir na história, principalmente nos capítulos finais. Foi isso o que me fez terminar de ler o livro hoje, cada capítulo que acabava me fazia querer saber mais ainda o que aconteceria em seguida. Um outro pequeno defeito é como Lang descreve o final de algumas ações, o que pode deixar um pouco confuso. Por exemplo; em certa parte do livro, deduzi que Lang havia matado Sarah, pois ele não defenia exatamente o que tinha feito, mas depois é melhor explicado.
Conclusão Final: Com humor fantástico, uma história inteligente e um protagonista simpático, "O Vendedor de Armas" é um livro realmente agradável de se ler e muito divertido. Ainda que com alguns defeitos, é uma excelente estreia de Hugh Laurie na literatura, uma ótima obra da ficção britânica. Recomendado!

Nota: 8.0