KILL BILL
vol. 1
Em 2003, Quentin Tarantino surpreendeu o mundo inteiro com seu quarto filme, "Kill Bill: Volume 1"(Kill Bill: Vol. 1), uma fiel e sólida homenagem aos bons e velhos filmes de artes marciais. A saga da Noiva, que contém apenas dois filmes lançados em 2003 e 2004, encontrou seu lugar nos clássicos modernos, provando que qualidade sobrepuja em muito quantidade. Vamos analisar aqui esta memorável vingança da mulher mais mortal do mundo: Beatrix Kiddo.
A história é simples: A Noiva(Uma Thurman) era membro de uma equipe de assassinos de elite, na qual carregava a alcunha de "Mamba Negra", e cooperava com as assassinas O-Ren Ishii(Lucy Liu), Vernita Green(Vivica A. Fox), Elle Driver(Daryl Hannah) e o beberrão Budd(Michael Madsen). Tal grupo de matadores era liderado por Bill(David Carradine). Quando a Noiva engravidou misteriosamente, ela desapareceu e decidiu se casar para começar uma nova vida, mas Bill e seu time a caçaram e fizeram um massacre durante o ensaio do casamento. Entretanto, a Mamba Negra não morreu naquele dia. Ao acordar de um coma de quatro anos de duração, a Noiva jurou vingança contra sua antiga equipe, e partiu numa jornada para caçar um por um em sua "Picape das Gostosas".
OS PERSONAGENS
A NOIVA / A MAMBA NEGRA
Uma Thurman já trabalhou com Quentin Tarantino antes no excelente "Pulp Fiction"(Pulp Fiction, 1994), mas este é o primeiro filme do diretor que a atriz protagoniza. Carismática, bonita e ágil, Uma é a Noiva perfeita. O mais interessante é o modo como a atriz representa a evolução da personagem. Quando fazia parte do esquadrão de assassinos, a Noiva era uma mulher apaixonada e sorridente. Era essa a personalidade dela, entretanto, quando Bill tentou assassiná-la, a Mamba Negra transformou-se numa dama centrada apenas na vingança. Se tornou séria e irônica ao mesmo tempo, e Uma Thurman interpreta tal transformação muito bem com sua composição sólida da personagem. Mesmo no Vol. 1, que não mostra tanto do passado da Noiva, a personagem é muito bem desenvolvida. A narração de Uma que aparece para descrever seus alvos ou objetivos contribui para isso assim como os flashbacks mostrados quando ela encontra seus inimigos. Ela os descreve, conta o que fizeram, e o espectador não precisa saber de mais nada pra ter certeza de que aquela pessoa merece morrer. Isso se torna curioso pois a narração da Noiva acaba também contribuindo para o desenvolvimento dos outros personagens, e fortalece na mente de quem assiste a visão que ela tem de tal personagem.
O-REN ISHII / BOCA-DE-ALGODÃO
A vilã do Vol. 1 e com certeza a personagem mais bem estruturada depois da Noiva. A origem de O-Ren Ishii é contada na forma de uma excelente animação presente na fita, mostrando como a assassina veio a se tornar a maior líder criminosa do Japão depois do incidente com a Noiva. Lucy Liu é carismática interpretando a americana de descendência chinesa, transformando-a numa personagem tão fofa quanto cruel - típico de vilãs orientais. Apesar de tal, O-Ren vira uma mulher séria e concentrada quando o perigo surge, mudando até mesmo o seu tom de voz, ligeiramente, mas de forma notável. Extremamente bem treinada, é segura de suas habilidades mortais e também de seu poder imperativo sobre os seus capangas, conhecidos como "Os 88 Malucos". Seu conflito e sua química com Uma Thurman é o melhor neste filme, as duas personagens demonstram sua rivalidade desde as trocas de olhares aos duelos de espada. O-Ren Ishii é uma guerreira formidável, respeitando a habilidade e a honra de qualquer adversário, e também a sua própria.
VERNITA GREEN / CABEÇA-DE-COBRE
Não há muito o que falar sobre Vernita Green, interpretada por Vivica A. Fox, pois é a personagem menos aproveitada pelo roteiro de Quentin Tarantino. Por mais que a personagem de Uma Thurman faça Vernita parecer odiável, Vivica A. Fox consegue salvar a impressão passada pela assassina com seu carisma. É um feito muito notável, pois a atriz consegue ser carismática numa personagem altamente séria e de sangue quase frio. Mas a grande verdade é que Vernita Green está ali apenas para render uma excelente sequência de ação, que é sua luta contra a Noiva. O diálogo com Uma Thurman é cheio de provocações, é definitivamente um conflito verbal, até mesmo quando as duas personagens estão atuando para convencer a filha de Vernita de que a Noiva é apenas uma velha amiga que resolveu visitá-la - essa desculpa já é bastante irônica.
Agora que os personagens principais deste Vol. 1 já foram analisados, é hora de falar do mestre Quentin Tarantino. O roteiro do diretor segue o esquema da maioria de seus filmes, sendo dividido em capítulos. A fórmula, raramente usada por outros diretores de Hollywood, funciona muito bem nas mãos de Tarantino, tendo cada capítulo o que enfasar melhor. A linha de tempo do filme é intercalada, o próximo capítulo não ocorre necessariamente depois do que aconteceu no anterior, pode estar contando o que houve antes, e o desenvolvimento de tal capítulo é o suficiente para o espectador auto-deduzir que aquilo aconteceu antes de algum outro ocorrido do filme.
Tarantino dispõe de ângulos inteligentes de filmagem, tanto com a câmera fixa quanto em movimento. Há certos momentos em que uma sequência inteira é guiada por uma única tomada pelos movimentos de certos personagens e isso é feito de modo à mostrar devidamente o cenário em que tal cena se passa. Em cenas de lutas e duelos, a filmagem consegue mostrar muito bem todos os personagens atacantes e ao mesmo tempo o cenário, que em diversas ocasiões influencia no combate. Sem falar nos zoom-in e zoom-out bastante utilizados neste filme, que geralmente servem para enfasar o olhar dos personagens.
A ação é muito boa e as lutas muito bem coreografadas, os responsáveis pelas artes marciais presentes no filme fazem um ótimo trabalho com qualquer tipo de cena de ação - desde combates de mão, nos quais há notável influência do cenário, até os duelos de espada. Como todos sabem, Quentin Tarantino não é muito fã de efeitos computadorizados, todos os efeitos utilizados em "Kill Bill" são práticos. E como o CG facilita e muito a vida dos cineastas, créditos devem ser dados a isso. O trabalho com membros e sangue falsos é ótimo e convincente. A mixagem de som utiliza de sons genéricos de socos e lâminas, afinal isto é uma homenagem aos filmes de Kung Fu, então aposta nos sons icônicos e clichês dos mesmos. Luz e sombras são regidas de um jeito teatral e simples, e a direção de arte é ótima - Destaque para determinada cena em que vemos apenas a silhueta da Noiva combatendo os 88 Malucos num fundo roxo. A fotografia destaca bastante tons de amarelo e vermelho. Aliás, se for assistir "Kill Bill", tenha certeza de que uma cor você não vai esquecer: Vermelho.
O figurino também fala por cada personagem. O de Vivica A. Fox, por exemplo, retrata que a dona de casa simples que a personagem se tornou. O traje amarelo com listras pretas de Uma Thurman homenageia o grande mestre Bruce Lee em seu último filme, "Jogo da Morte"(Game of Death, 1978) e o kimono branquíssimo de Lucy Liu passa uma impressão dócil, porém fatal da personagem. Afinal, é um kimono.
A trilha sonora é excepcional. O filme abre com "Bang Bang (My Baby Shot Me Down)", de Nancy Sinatra, dando sua temática, e durante sua projeção, o longa utiliza de clássicos antigos e modernos em sua música. Tais como "Green Hornet", tema do "Besouro Verde" composto por Al Hirt, "Don't Let me be Misunderstood", de Santa Esmeralda e o tema principal que se tornou um símbolo para a franquia; "Battle Without Honor or Humanity", de Tomoyasu Hotei. A lindíssima composição "The Lonely Shepherd" de Gheorghe Zamfir também está presente.
Conclusão Final: "Kill Bill: Volume 1"(Kill Bill: Vol. 1, 2003) é um espetáculo cinematográfico em todos os quesitos. Ótimas atuações de um elenco carismático, excelentes personagens, uma trilha sonora icônica, combates e duelos impressionantes e tudo de quê uma divertida e verdadeira obra de arte é feita. A crítica do volume 2, você confere aqui: http://blasterlizard.blogspot.com/2012/01/menos-acao-e-mais-atuacao-no-segundo.html
Nota: 10,0
vol. 1

A história é simples: A Noiva(Uma Thurman) era membro de uma equipe de assassinos de elite, na qual carregava a alcunha de "Mamba Negra", e cooperava com as assassinas O-Ren Ishii(Lucy Liu), Vernita Green(Vivica A. Fox), Elle Driver(Daryl Hannah) e o beberrão Budd(Michael Madsen). Tal grupo de matadores era liderado por Bill(David Carradine). Quando a Noiva engravidou misteriosamente, ela desapareceu e decidiu se casar para começar uma nova vida, mas Bill e seu time a caçaram e fizeram um massacre durante o ensaio do casamento. Entretanto, a Mamba Negra não morreu naquele dia. Ao acordar de um coma de quatro anos de duração, a Noiva jurou vingança contra sua antiga equipe, e partiu numa jornada para caçar um por um em sua "Picape das Gostosas".
OS PERSONAGENS
Uma Thurman já trabalhou com Quentin Tarantino antes no excelente "Pulp Fiction"(Pulp Fiction, 1994), mas este é o primeiro filme do diretor que a atriz protagoniza. Carismática, bonita e ágil, Uma é a Noiva perfeita. O mais interessante é o modo como a atriz representa a evolução da personagem. Quando fazia parte do esquadrão de assassinos, a Noiva era uma mulher apaixonada e sorridente. Era essa a personalidade dela, entretanto, quando Bill tentou assassiná-la, a Mamba Negra transformou-se numa dama centrada apenas na vingança. Se tornou séria e irônica ao mesmo tempo, e Uma Thurman interpreta tal transformação muito bem com sua composição sólida da personagem. Mesmo no Vol. 1, que não mostra tanto do passado da Noiva, a personagem é muito bem desenvolvida. A narração de Uma que aparece para descrever seus alvos ou objetivos contribui para isso assim como os flashbacks mostrados quando ela encontra seus inimigos. Ela os descreve, conta o que fizeram, e o espectador não precisa saber de mais nada pra ter certeza de que aquela pessoa merece morrer. Isso se torna curioso pois a narração da Noiva acaba também contribuindo para o desenvolvimento dos outros personagens, e fortalece na mente de quem assiste a visão que ela tem de tal personagem.

A vilã do Vol. 1 e com certeza a personagem mais bem estruturada depois da Noiva. A origem de O-Ren Ishii é contada na forma de uma excelente animação presente na fita, mostrando como a assassina veio a se tornar a maior líder criminosa do Japão depois do incidente com a Noiva. Lucy Liu é carismática interpretando a americana de descendência chinesa, transformando-a numa personagem tão fofa quanto cruel - típico de vilãs orientais. Apesar de tal, O-Ren vira uma mulher séria e concentrada quando o perigo surge, mudando até mesmo o seu tom de voz, ligeiramente, mas de forma notável. Extremamente bem treinada, é segura de suas habilidades mortais e também de seu poder imperativo sobre os seus capangas, conhecidos como "Os 88 Malucos". Seu conflito e sua química com Uma Thurman é o melhor neste filme, as duas personagens demonstram sua rivalidade desde as trocas de olhares aos duelos de espada. O-Ren Ishii é uma guerreira formidável, respeitando a habilidade e a honra de qualquer adversário, e também a sua própria.

Não há muito o que falar sobre Vernita Green, interpretada por Vivica A. Fox, pois é a personagem menos aproveitada pelo roteiro de Quentin Tarantino. Por mais que a personagem de Uma Thurman faça Vernita parecer odiável, Vivica A. Fox consegue salvar a impressão passada pela assassina com seu carisma. É um feito muito notável, pois a atriz consegue ser carismática numa personagem altamente séria e de sangue quase frio. Mas a grande verdade é que Vernita Green está ali apenas para render uma excelente sequência de ação, que é sua luta contra a Noiva. O diálogo com Uma Thurman é cheio de provocações, é definitivamente um conflito verbal, até mesmo quando as duas personagens estão atuando para convencer a filha de Vernita de que a Noiva é apenas uma velha amiga que resolveu visitá-la - essa desculpa já é bastante irônica.
Agora que os personagens principais deste Vol. 1 já foram analisados, é hora de falar do mestre Quentin Tarantino. O roteiro do diretor segue o esquema da maioria de seus filmes, sendo dividido em capítulos. A fórmula, raramente usada por outros diretores de Hollywood, funciona muito bem nas mãos de Tarantino, tendo cada capítulo o que enfasar melhor. A linha de tempo do filme é intercalada, o próximo capítulo não ocorre necessariamente depois do que aconteceu no anterior, pode estar contando o que houve antes, e o desenvolvimento de tal capítulo é o suficiente para o espectador auto-deduzir que aquilo aconteceu antes de algum outro ocorrido do filme.
Tarantino dispõe de ângulos inteligentes de filmagem, tanto com a câmera fixa quanto em movimento. Há certos momentos em que uma sequência inteira é guiada por uma única tomada pelos movimentos de certos personagens e isso é feito de modo à mostrar devidamente o cenário em que tal cena se passa. Em cenas de lutas e duelos, a filmagem consegue mostrar muito bem todos os personagens atacantes e ao mesmo tempo o cenário, que em diversas ocasiões influencia no combate. Sem falar nos zoom-in e zoom-out bastante utilizados neste filme, que geralmente servem para enfasar o olhar dos personagens.
A ação é muito boa e as lutas muito bem coreografadas, os responsáveis pelas artes marciais presentes no filme fazem um ótimo trabalho com qualquer tipo de cena de ação - desde combates de mão, nos quais há notável influência do cenário, até os duelos de espada. Como todos sabem, Quentin Tarantino não é muito fã de efeitos computadorizados, todos os efeitos utilizados em "Kill Bill" são práticos. E como o CG facilita e muito a vida dos cineastas, créditos devem ser dados a isso. O trabalho com membros e sangue falsos é ótimo e convincente. A mixagem de som utiliza de sons genéricos de socos e lâminas, afinal isto é uma homenagem aos filmes de Kung Fu, então aposta nos sons icônicos e clichês dos mesmos. Luz e sombras são regidas de um jeito teatral e simples, e a direção de arte é ótima - Destaque para determinada cena em que vemos apenas a silhueta da Noiva combatendo os 88 Malucos num fundo roxo. A fotografia destaca bastante tons de amarelo e vermelho. Aliás, se for assistir "Kill Bill", tenha certeza de que uma cor você não vai esquecer: Vermelho.
O figurino também fala por cada personagem. O de Vivica A. Fox, por exemplo, retrata que a dona de casa simples que a personagem se tornou. O traje amarelo com listras pretas de Uma Thurman homenageia o grande mestre Bruce Lee em seu último filme, "Jogo da Morte"(Game of Death, 1978) e o kimono branquíssimo de Lucy Liu passa uma impressão dócil, porém fatal da personagem. Afinal, é um kimono.
A trilha sonora é excepcional. O filme abre com "Bang Bang (My Baby Shot Me Down)", de Nancy Sinatra, dando sua temática, e durante sua projeção, o longa utiliza de clássicos antigos e modernos em sua música. Tais como "Green Hornet", tema do "Besouro Verde" composto por Al Hirt, "Don't Let me be Misunderstood", de Santa Esmeralda e o tema principal que se tornou um símbolo para a franquia; "Battle Without Honor or Humanity", de Tomoyasu Hotei. A lindíssima composição "The Lonely Shepherd" de Gheorghe Zamfir também está presente.
Conclusão Final: "Kill Bill: Volume 1"(Kill Bill: Vol. 1, 2003) é um espetáculo cinematográfico em todos os quesitos. Ótimas atuações de um elenco carismático, excelentes personagens, uma trilha sonora icônica, combates e duelos impressionantes e tudo de quê uma divertida e verdadeira obra de arte é feita. A crítica do volume 2, você confere aqui: http://blasterlizard.blogspot.com/2012/01/menos-acao-e-mais-atuacao-no-segundo.html
Nota: 10,0
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