2ª Premiação Anual Lagarto de Ouro

Confira os candidatos e dê sua opinião sobre os melhores filmes de 2012!

LagARTÍSTICO #7: Diamonds Are A Girl's Best Friend!

A sétima edição do quadro LagARTÍSTICO traz uma galeria da eterna diva Marilyn Monroe!

Hitman: Absolution

O Assassino 47 está de volta, saiba a nossa opinião sobre o novo jogo!

BL Clássicos

Leia duas novas críticas no quadro BL Clássicos: "The Misfits" e "How to Marry a Millionaire".

Mostrando postagens com marcador Alien. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Alien. Mostrar todas as postagens

8.6.12

Nenhuma palavra além de "genial" pode descrever "Prometheus"!

Big things have small beginnings.

EL AMANTE FELINO apresenta:
PROMETHEUS
 
Esta crítica pode conter spoilers.

Em "Prometheus", um grupo de cientistas liderado pela Dra. Elizabeth Shaw (Noomi Rapace) parte numa expedição à um planeta desconhecido após serem descobertas inscrições históricas na Terra que apontam para o lar dos possíveis criadores da raça humana. O problema é que, ao chegar lá, eles se deparam com algo inesperado, e o início de uma nova espécie.

"Prometheus" não é um prelúdio à "Alien: O Oitavo Passageiro" em si pois não há uma ligação direta entre os dois filmes, e ainda vamos ter no mínimo uma sequência para "Prometheus". Digamos que a franquia "Prometheus" venha a ser um prelúdio para a franquia "Alien" como um todo. 

Como já sabemos, desde o começo o Alien nos foi apresentado como o organismo vivo perfeito, e é curioso como "Prometheus" já começa remetendo nossos criadores, o Space Jockey (aqui chamado de Engenheiro), à perfeição. É um espécime humanóide, maior, com o corpo definido, desprovido de pelos ou deformações mínimas na face que, por sinal, possui uma configuração totalmente humana (A estranha cabeça que vemos no Space Jockey de "Alien" era apenas um capacete). 

Na nave Prometheus, há uma tripulação de 17 pessoas, o que basicamente significa que sim, temos personagens descartáveis que vão morrer e nós não vamos ligar para eles. Entretanto, esses personagens descartáveis acabam sendo necessários para o desenvolvimento da trama, ou melhor, da espécie. É, essa espécie mesmo. Os personagens principais, por outro lado, são ótimos e bem trabalhados - e nos importamos com suas mortes. 

O androide David, em particular, conseguiu se tornar meu personagem favorito no universo de "Alien". Interpretado eximiamente por Michael "Magneto" Fassbender, David é privilegiado com ótimos diálogos, alguns conflitos e uma boa reflexão sobre a criação. Por que as pessoas criam? Porque podem? Seria este o mesmo motivo pelo qual fomos criados, então? O filme traz muitos pensamentos do tipo para refletir. Com seu sotaque, movimentação e expressões, Fassbender "encarna" um androide muito melhor do que o feito por Ian Holm em "Alien".

A heroína Helen Ripley, que aqui ainda não nasceu, é substituída por Elizabeth Shaw, interpretada pela atriz sueca Noomi Rapace, que finalmente conseguiu carisma o suficiente para conquistar o espectador. Noomi não é nenhuma novata, sempre se provou uma ótima atriz, mas ainda não havia conseguido carisma o suficiente para amarrar o público de vez. Shaw é uma mulher forte, de liderança e muitos colhões, devo ressaltar. Ela vai até onde for preciso ir para conseguir suas respostas ou seus objetivos, sem hesitar em qualquer momento (destaque para a cena em que ela faz uma cirurgia em si própria para tirar de seu corpo uma forma de vida alienígena com a qual foi infectada). 

Meredith Vickers, a líder da tripulação interpretada por Charlize Theron, é um enorme pé-no-saco, mas a atriz consegue impedir nossa total reprovação pela personagem com seu carisma. Vickers é uma mulher que sente orgulho de pertencer ao sexo feminino e ter autoridade sobre muitos homens, e é evidente que gosta de demonstrar o quanto é mulher - tanto que, quando o capitão Janek (Idris Elba) tenta lhe cantar para levá-la à cama, Vickers só sucumbe ao negão quando o mesmo pergunta se ela é um robô.

"Prometheus" tem alguns pontos não propriamente explicados, mas que abrem caminhos para várias teorias. Eu tenho algumas e as compartilharei aqui, então, se não viu o filme ainda, aconselho que pule este e o próximo parágrafo da crítica. [spoiler on] É revelado no filme que os Engenheiros tinham um plano de ir à Terra para destruir a raça humana, algo que eles mesmos criaram. Por que fariam isso? A minha teoria é de que eles tentaram criar uma raça à sua semelhança, e resultou em algo imperfeito, que é o ser humano. Nós seríamos uma ofensa à perfeição dos Engenheiros, e dado isso, eles desenvolveram um ódio extremo pela raça que criaram. Por isso, tentam nos destruir, para criar outra coisa depois - "Para criar, é necessário primeiro destruir", algo feito para ser diferente, algo feito para ser perfeito.

Este seria então, o Alien que conhecemos. Os "ovos" que infestam a caverna onde há uma enorme estátua da cabeça de um Engenheiro contém um líquido gosmento dentro, e seria isto o que os nossos criadores usam para criar, ou para destruir (destaque para a cena que abre o filme). É interessante como o longa mostra a evolução da espécie que virá a se tornar o Alien Xenomorfo. Nos é mostrado o que seria o antecessor do Facehugger, uma serpente que infecta suas vítimas e possui características semelhantes ao Facehugger em si, como o reflexo de se apertar à vítima ao ser atacada, o sangue ácido como mecanismo de defesa, e etc. A próxima fase de tal criatura já é algo com tentáculos, mais semelhante à espécie de "O Oitavo Passageiro", e esse bixo, ao capturar o Space Jockey, dá origem a um tipo já mais próximo ao Alien. Sua versão primitiva, ainda em desenvolvimento para se tornar o organismo perfeito. [spoiler off]

O terror do filme funciona muito bem, combinando suspense e sustos na hora certa, mas não é o exato destaque da fita, que é muito mais sobre a aventura, sobre as descobertas. É o meio termo entre "Alien: O Oitavo Passageiro" e "Aliens: O Resgate". Os efeitos especiais computadorizados estão presentes a todo momento, e são muito bem utilizados. O 3D não possui efeito algum, e inclusive prejudica o filme com a diminuição de luminosidade causada pelos óculos - sendo que o longa já é escuro. A trilha sonora de Marc Streitenfeld é ótima, e também muito mais dedicada aos fatores de aventura e criação. A mixagem de som é um ponto bastante marcante de "Prometheus", desfrutando de sons tecnológicos e incomuns, já que é um filme futurístico.

A fotografia é excelente, e assim como em "Alien", é feito um ótimo trabalho com a manipulação de luz. Porém, neste filme o escuro não contribui tanto para o mistério ao seu redor, esta é uma parte pela qual o enredo criativo assume mais responsabilidade. 

"Prometheus" é uma história genial vinda da cabeça de Ridley Scott, e consegue implicar o terror, o suspense, a aventura e a ação numa das melhores ficções científicas que eu já assisti. O único possível defeito desta fita seria um erro de continuidade em relação à série "Alien" - "Prometheus" se passa antes de "O Oitavo Passageiro", mas ainda sim contém equipamentos muito mais tecnológicos. Isso pode ser consertado nos filmes seguintes? Sim, mas por enquanto, é um erro de continuidade. James Cameron, o senhor vai ter que quebrar muito a cabeça se quiser chegar aos pés desta obra com seu "Na'avi". Anseio para comprar "Prometheus" em Blu-ray.

Nota: 9.9

6.6.12

Alien, a obra-prima de Ridley Scott

Na sua casa, todos vão ouvir você gritar.

EL AMANTE FELINO apresenta
ALIEN: O OITAVO PASSAGEIRO

Esta crítica certamente contém spoilers

Na véspera da pré-estreia do aguardado "Prometheus" (e sim, eu estarei lá), eu não poderia deixar de trazer para vocês leitores minha crítica do clássico insuperável de Ridley Scott. Antes que alguém comente sobre o assunto inevitável, já vou esclarecer: NÃO vou comparar "Alien" e "O Predador" na crítica para concluir qual dos dois é melhor. São dois filmes distintos que tiveram, por infortúnio, seus universos ligados por um crossover sem sentido regido por um péssimo diretor. Agora, à crítica.

"Alien: O Oitavo Passageiro" conta a história de um grupo de sete tripulantes de uma nave espacial que, para checar uma mensagem misteriosa captada, aterrissa em um planeta desconhecido, que revela-se quase desértico. O problema é que ao retornar para sua nave, os tripulantes trazem consigo uma nova forma de vida, sem conhecimento de tal feito, e então, passam a ser caçados um por um por este oitavo passageiro.

Estamos tratando aqui de um filme de terror de verdade, não é um longa que aposta em fórmulas de época que com o tempo, perdem seu fator de causar medo, como o "A Hora do Pesadelo" de Wes Craven. Não, Ridley Scott usa em "Alien" aspectos que atormentarão a mente humana durante toda a sua existência. São estes o inimigo adaptável, a falta de informação, a escassez de recursos, o conflito interno, a claustrofobia, a solidão gradativa e especialmente o escuro. Há algo que o ser humano tema mais do que a falta de companhia? Do que estar sozinho com as luzes apagadas? Do que perder seus colegas e enxergar então que sem eles, não é nada?

A partir do momento em que um ambiente torna-se escuro, a previsibilidade do que pode acontecer ali diminue consideravelmente, e esse é um ponto muito bem explorado na fita de Scott. Unindo isto ao fato da criatura Xenomorfa ser um ser totalmente desconhecido, o resultado é um filme quase totalmente imprevisível. O Alien nos é apresentado como um organismo vivo perfeito e criativo, mas ainda sim, há mistério ao seu redor, e esse desconhecimento faz com que não possamos imaginar o que aquela criatura vai fazer a seguir, ou onde vai surgir, ou como.

De onde veio o Alien? O que é o Space Jockey, aquele extra-terrestre fossilizado encontrado no planeta LV-426? Quem enviou a mensagem vinda do planeta para a nave de Ripley? A falta destes detalhes (que serão explicados no vindouro "Prometheus") não torna "Alien" um filme incompleto, mas sim misterioso. O roteiro de Dan O'Bannon e a maestria de Scott deixam claro que estas coisas não são explicadas para aplicar mais suspense à trama e não por furo, falta de criatividade, pressa ou até mesmo preguiça (sim, esse pequeno problema assola alguns roteiristas por aí).

O desespero dos personagens surge à medida de que lhes é revelado o quão pouco eles sabem, e também com a diminuição de tripulantes. Os ambientes escuros são um playground para o Alien, que já é bastante familiarizado com a camuflagem, e o medo só aumenta quando os tripulantes têm de lidar com as habilidades adaptáveis e mecanismos inteligentes de defesa do nosso intruso. O longa acaba nos mostrando o quão fraco e diminuto o ser humano é diante da perfeição de um ser que nada mais faz do que se alimentar, sobreviver e reproduzir. 

Esta é, por sinal, uma grande inovação que Ridley Scott trouxe aos filmes de ETs. Antes de "Alien", todos os filmes de extra-terrestres consistiam em alienígenas que tentavam dominar a Terra, destruí-la, ou coisa parecida. Nesta fita temos um organismo de outro mundo que quer só dar continuidade à sua espécie, e mais nada. Mas, para tal objetivo, ele terá de matar, afinal é um parasita. Vidas cheias de furos são cessadas para dar lugar ao ser perfeito. Depois disso, muitos filmes do gênero tentaram usar alienígenas assassinos para fazer o mesmo que a obra de Scott fez, mas poucos conseguiram ser tão bons quanto. Um exemplo dos que conseguiram é justamente "O Predador", que inovou o gênero mais uma vez, mas sobre isso você lerá quando eu resenhar o filme do cabeça-de-crustáceo. 

As atuações são todas ótimas. Os grandes destaques são Sigourney Weaver, interpretando a lendária rainha-da-brasa Ripley, e Ian Holm como o androide Ash. O resto do elenco faz muito bem seu serviço, porém se sustenta mais no carisma dos atores, estando todos interpretando personagens que vêm a conquistar o público, tornando as cenas de suas mortes mais efetivas sobre tal.

Os sets são grandiosos, como na maioria das produções sci-fi de Ridley Scott, e o diretor consegue fazer uma nave espacial imensa transpirar claustrofobia só pelo fato de estar sendo assombrada por algo imprevisível. Para a ajuda de tal, é feito um excelente trabalho com a manipulação de luz (quase sempre sombras, na verdade) e com a fotografia sombria usada no longa. Estes pequenos fatores acabam criando um novo, que é a claustrofobia num espaço que na verdade, é amplo, e isso é somado à imprevisibilidade, criando então o suspense perfeito.

A trilha sonora é boa e não tão presente - não seria mais necessário do que o apresentado para que o filme exercesse seu efeito. O silêncio acaba também por ser um contribuidor essencial para o medo, e ainda mais para os sustos, quando devidamente mesclado à ótima mixagem de som da fita. Os efeitos especiais práticos, que compõem a maior parte do visual, são muito bem utilizados. Entretanto, os efeitos computadorizados não desapontam também. Para um filme de 1979, "Alien" é bem feito DEMAIS. O filme sofre apenas com alguns erros de continuidade, mas com isso todos os melhores sofrem, não é mesmo, Steven Spielberg?

"Alien: O Oitavo Passageiro" (Alien, 1979) é um filme que alcança a excelência em todos os seus pontos como um longa de terror, suspense e ficção científica. Um clássico indiscutível que deverá amedrontar muita gente por muito tempo, que com certeza ainda tem mais de si para revelar e que prova que para assustar não são necessárias cenas extremas e litros de sangue falso. Ouviu, senhor Srdjan Spasojevic?

Nota: 10,0