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29.1.12

O que se esconde na neve, se revela no degelo...

MILLENNIUM
OS HOMENS QUE NÃO AMAVAM AS MULHERES


Em algum lugar eu ouvi falar que a versão americana de "Os Homens que não Amavam as Mulheres" (The Girl with the Dragon Tattoo), primeiro capítulo da trilogia Millennium, dirigido por David Fincher, era um filme frio. Realmente, os pôsteres e os trailers do longa davam a entender de que se tratava de um filme frio, entretanto, quando assisti ao mesmo, discordei totalmente de tal classificação absurda. Se este filme é frio, eu mal consigo imaginar o que a versão sueca é.

O jornalista Mikael Blomkvist (Daniel Craig), após publicar um artigo difamador sem provas concretas de suas afirmações sobre o figurão Hans-Erik Wenneström (Ulf Friberg), acaba sendo quebrado financeiramente por um processo judicial, e precisa dar um jeito de rearranjar sua vida. Neste momento crucial, Henrik Vanger (Christopher Plummer), um empresário sueco famoso mas já aposentado, contrata Blomkvist para resolver o mistério da morte de sua neta, Harriet (Moa Garpendal). Para tal, Blomkvist recorre à ajuda da jovem hacker Lisbeth Salander (Rooney Mara), uma garota punk e de personalidade forte que se envolverá profundamente com seu parceiro.

Continuando de onde parei na introdução da crítica, este filme é muito mais sentimental do que o original em vários aspectos. E quando digo "sentimental", não me refiro apenas à amor. Também me refiro à ódio, identificação, humor. O leve humor presente na fita é aplicado muito bem, e o carisma de Daniel Craig e Rooney Mara, muito maior do que o de Michael Nyqvist e Noomi Rapace, contribuem bastante para isso. Não só para o humor, o carisma dos dois protagonista é fundamental (como costuma ser para qualquer personagem em qualquer mídia) para a aprovação do público em relação aos personagens.

Mikael Blomkvist e Lisbeth Salander rapidamente conquistam o seu público com sua, respectivamente, morbidez e rebeldia. A novata Rooney Mara prova que tem de tudo para se tornar uma grande estrela de Hollywood, encarnando de forma ao mesmo tempo perturbadora e cativante sua personagem. Quanto à Craig, todos já conhecemos bem o talento do ator britânico. Mesmo tendo Craig se tornado famoso por interpretar James Bond em "Cassino Royale" (Casino Royale, 2006) e "Quantum Of Solace" (Quantum Of Solace, 2008) e este Millennium ser um thriller investigativo, não se nota semelhança entre Blomkvist e Bond. Craig compõe o jornalista com sua própria característica, Blomkvist não é nenhum Sherlock Holmes, mas é perspicaz em suas investigações. Tem um modo simpático de conquistar quem está ao seu redor e um bom senso de humor, sem mencionar, claro, sua morbidez.

A química entre Craig e a novata é perfeita. Os dois personagens começam seus caminhos no filme separados, e a história é contada de forma paralelamente intercalada, mas quando se cruzam, a relação é impecável. Lisbeth é uma personagem que foi, ao longo de sua vida, discriminada radicalmente e criou um grande desdém pelos homens pertencentes à sociedade preconceituosa, e a degeneração de qualquer sentimento por estes tende apenas a aumentar. Porém, assim como o público, ela enxerga em Mikael um sujeito diferente dos outros, e é aí que a química começa a funcionar muito bem.

Craig e Mara não são os únicos destaques do elenco, o simpático Stellan Skarsgård faz uma ótima representação de Martin Vanger, e Yorick van Wageningen surge tão detestável quanto deve ser como o tutor de Lisbeth Salander. Os diálogos são outro ponto positivo do filme; a família Vanger se mostra tão incomum e anti-sociável quanto é descrita por Henrik. Discussões, provocações e conflitos verbais são constantes e essenciais para o desenvolvimento da química entre Mikael e os membros da família.

Apesar de ter estranhado no início, acabou sendo justa a classificação de 16 anos que Millennium recebeu por aqui. O filme não empurra ao espectador violência gratuita ou sexo e nudez, mas quando uma cena com tais conteúdos é necessária, nem o roteiro e nem a direção economizam. Créditos devem ser dados à Rooney Mara pela coragem da atriz em encarar cenas tão exigentes em um dos primeiros filmes de sua carreira, e pelo talento de atuar com naturalidade e perfeição nas mesmas.

O filme possui uma atmosfera muito mais sombria do que a criada no longa sueco, e algo que contribui muito para tal clima é a trilha sonora original de Trent Reznor e Atticus Ross. Os dois músicos já trabalharam com David Fincher antes em "A Rede Social" (The Social Network, 2010), filme pelo qual ganharam o Oscar de melhor trilha sonora, entretanto, em Millennium, o trabalho musical é muito mais requerido do que na fita sobre o Facebook. O acompanhamento da trilha consegue se encaixar no tom certo de cada cena em que aparece, é sombria quando tem que ser, é investigativa quando tem que ser, romântica quando tem que ser, etc. Em muitas cenas intensas, as composições de Reznor e Ross chegam a lembrar o trabalho de Akira Yamaoka para os jogos da série "Silent Hill".

David Fincher dirige o filme em excelente forma durante os 158 minutos de duração da projeção. Ângulos de filmagem fixos são bem colocados e no trabalho com a câmera movimentada, o cenário é muito bem retratado, além de cortes em que a câmera acompanha os movimentos do personagem em questão. A cena da perseguição de Lisbeth em sua moto é melhor filmada do que o esperado, sendo bem dividida em mudanças de tomada e desenvolvimento em apenas um take.

A fotografia procura trabalhar com tons mais descoloridos, dada a natureza sombria do longa. A luz é, em alguns momentos, manipulada para se espalhar lateralmente, técnica que fica bonita em muitas cenas, e muito melhor usada do que em "Pânico 4" (SCRE4M, 2011). Quanto à mixagem de som, outro aspecto técnico no qual o filme sueco apresentou vários erros, é muito boa neste filme. Os sons do ambiente ao redor, mesmo que calmo, são aplicados com precisão e principalmente entre as trocas de filmagens exteriores e interiores.

Quanto à fidelidade ao livro de Stieg Larsson, não posso comentar pois comecei a ler o mesmo recentemente, após ter assistido ao filme. Porém, considero que este detalhe não vá atrapalhar na boa experiência de conferir a fita.

Conclusão Final: De início, minha expectativa quanto à "Millennium: Os Homens que não Amavam as Mulheres" (The Girl with the Dragon Tattoo, 2011) era de que o filme fosse ser o tipo "ame-o ou odeie-o", mas acabei sendo surpreendido. Com personagens cativantes, elenco carismático, investigação intrigante e técnica impecável, o remake do filme sueco de 2009 consegue superar em todos os aspectos seu antecessor, e tem de tudo para receber aprovação quase total do público brasileiro. Recomendado!

Nota: 10,0

22.1.12

Estreias da semana (23 à 27 de Janeiro)

Confira as estreias da semana de 23 à 27 de Janeiro. Remake de "Os Homens que não Amavam as Mulheres" (The Girl with the Dragon Tattoo, 2011), "Os Descendentes" (The Descendants, 2011) e "J. Edgar" (J. Edgar, 2011) são os grandes destaques.


MILLENNIUM: OS HOMENS QUE NÃO AMAVAM AS MULHERES (The Girl with the Dragon Tattoo)

Elenco: Daniel Craig, Stellan Skarsgård, Rooney Mara, Robin Wright, Christopher Plummer, Embeth Davidtz, Joel Kinnaman, Joely Richardson, Goran Visnjic, Julian Sands.
Direção: David Fincher
Gênero: Suspense
Duração: 152 min.
Distribuidora: Sony Pictures
Estreia: 27 de Janeiro de 2012
Sinopse: No centro do labirinto da história de 'Millennium – Os Homens Que Não Amavam as Mulheres', há assassinatos, corrupção, segredos de família e os dramas pessoais de dois parceiros improváveis em busca da verdade por trás de um mistério de 40 anos. Mikael Blomkvist (Daniel Craig) é um jornalista econômico determinado a restaurar a sua honra depois de ser condenado na justiça por difamação. Contratado por um dos industriais mais ricos da Suécia, Henrik Vanger (o indicado ao Oscar® Christopher Plummer) para chegar ao fundo do desaparecimento, décadas atrás, de sua querida sobrinha Harriet – assassinada, supõe Vanger, por um dos integrantes da sua numerosa família – o jornalista se muda para uma ilha remota na costa gelada da Suécia sem a menor noção do que o aguarda. Ao mesmo tempo, Lisbeth Salander (Rooney Mara), uma investigadora genial de aparência bizarra da Milton Security, é contratada para levantar a ficha e os antecedentes de Blomkvist, uma missão que será o ponto de partida para que ela se junte a Mikael na investigação de quem matou Harriet Vanger. Embora Lisbeth tenha uma couraça que a isola do mundo que sempre a traiu, seu talento como hacker e foco singular se tornam ferramentas valiosas. Enquanto Mikael procura conversar com os lacônicos Vanger, Lisbeth trilha pelas sombras da web. Eles forjam uma confiança tênue e frágil enquanto descobrem uma série de homicídios ocorridos ao longo de décadas que os envolvem na tendência mais hedionda do crime moderno.


J. EDGAR (J. Edgar)

Elenco: Leonardo DiCaprio, Armie Hammer, Naomi Watts, Josh Lucas, Ed Westwick, Judi Dench, Ken Howard, Kevin Rankin.
Direção: Clint Eastwood
Gênero: Drama
Duração: 137 min.
Distribuidora: Warner Bros.
Estreia: 27 de Janeiro de 2012
Sinopse: A história acompanha a vida de Hoover, o ex-diretor do FBI, polícia federal americana. Ele foi diretor da organização até sua morte, em 1972. Hoover era um homem dedicado à justiça, com uma vida pessoal foi bastante conturbada. O diretor foi acusado de ser homossexual e se travestir em segredo. Também esteve por trás da modernização da polícia americana durante a década de 30.


OS DESCENDENTES (The Descendants)

Elenco: George Clooney, Matthew Lillard, Robert Forster, Judy Greer, Beau Bridges e Shailene Woodley.
Direção: Alexander Payne
Gênero: Comédia Dramática
Duração: --- min.
Distribuidora: Fox Film
Orçamento: US$ -- milhões
Estreia: 27 de Janeiro de 2012
Sinopse: 'Os Descendentes' acompanha um rico latifundiário que tenta se reconectar com suas duas filhas depois que sua esposa sofre um acidente de barco.



A TENTAÇÃO (The Ledge)

Elenco: Liv Tyler, Terrence Howard, Patrick Wilson, Christopher Gorham, Charlie Hunnam, Monica Acosta, Jaqueline Fleming, Mike Pniewski.
Direção: Matthew Chapman
Gênero: Drama
Duração: 101 min.
Distribuidora: Vinny Filmes
Orçamento: US$ 10 milhões
Estreia: 27 de Janeiro de 2012
Sinopse: Em 'A Tentação', um jovem professor universitário vai para a borda de um edifício determinado a se matar, quando um detetive da polícia chega para convencê-lo a não se jogar. Porém o policial descobre que o professor já tinha pulado do prédio neste mesmo dia.

PRECISAMOS FALAR SOBRE O KEVIN (We Need to Talk About Kevin)

Elenco: Tilda Swinton, Ezra Miller, John C. Reilly, Siobhan Fallon, Ursula Parker, Jasper Newell, Rock Duer, Ashley Gerasimovich, Erin Maya Darke.
Direção: Lynne Ramsay
Gênero: Drama
Duração: 112 min.
Distribuidora: Paris Filmes
Orçamento: US$ --- milhões
Estreia: 27 de Janeiro de 2012
Sinopse: Eva (Tilda Swinton) mora sozinha e teve sua casa e carro pintados de vermelho. Maltratada nas ruas, ela tenta recomeçar a vida com um novo emprego e vive temorosa, evitando as pessoas. O motivo desta situação vem de seu passado, da época em que era casada com Franklin (John C. Reilly), com quem teve dois filhos: Kevin (Jasper Newell/Ezra Miller) e Lucy (Ursula Parker). Seu relacionamento com o primogênito, Kevin, sempre foi complicado, desde quando ele era bebê. Com o tempo a situação foi se agravando mas, mesmo conhecendo o filho muito bem, Eva jamais imaginaria do que ele seria capaz de fazer.



AS MULHERES DO 6º ANDAR (Les Femmes du 6eme étage)

Elenco: Fabrice Luchini, Sandrine Kiberlain, Natalia Verbeke, Carmen Maura, Lola Dueñas, Berta Ojea, Nuria Solé, Concha Galán.
Direção: Philippe Le Guay
Gênero: Comédia
Duração: 104 min.
Distribuidora: Vinny Filmes
Orçamento: US$ --- milhões
Estreia: 27 de Janeiro de 2012
Sinopse: Paris dos anos 60. Jean-Louis Joubert (Fabrice Luchini) é um corretor da bolsa que leva uma vida burguesa ao lado da esposa Suzanne. Quando a sua empregada doméstica, há 20 anos, decide ir embora, sua pacata rotina é transformada pela chegada de Maria (Natalia Verbeke), empregada espanhola que mora com a tia e outras conterrâneas nos pequenos alojamentos para empregados do sexto andar do prédio. Motivado pela simpatia de Maria, Jean-Louis começa a se aproximar dessas mulheres que, apesar dos dissabores da vida dura que levam, são alegres e bem dispostas. Tocado por estes seres femininos cheios de vida, ele começa a descobrir um novo universo, vivendo com emoção os prazeres mais sutis, em um ambiente completamente diferente aos modos austeros em que estava acostumado.


24.12.11

Remake de "Os Homens que não Amavam as Mulheres" é sério candidato à melhor filme do ano

Nova versão de "Os Homens que não Amavam as Mulheres" estrela Daniel Craig e a ascendente Rooney Mara respectivamente como Mikael Blomkvist e Lisbeth Salander

Uma coisa extremamente comum em Hollywood são remakes internacionalizados. Isto é, fazer uma releitura de um filme de outro país. Aconteceu com "O Grito"(The Grudge, 2004), "O Mistério das Duas Irmãs"(The Uninvinted, 2009), entre outros. Poucos deram verdadeiramente certo, mesmo que a maioria tenha feito mais sucesso que a versão original - justamente por serem versões americanas. Com o estrondo que "Os Homens que não Amavam as Mulheres"(The Girl With the Dragon Tattoo, 2009), adaptação do best-seller sueco escrito por Stieg Larsson, causou, é claro que Hollywood não iria deixar passar. Mas eis a pergunta: Iria dar certo? É um filme completamente diferente dos que costumam ser "importados" pelos EUA. Mas, ao mesmo tempo que estes remakes não costumam dar muito certo, nenhum deles já foi dirigido por David Fincher.

Fincher, estadunidense, nascido em 62, entregou ao cinema muitos sucessos de público e crítica, sendo alguns "Clube da Luta"(Fight Club, 1999), "O Curioso Caso de Benjamin Button"(The Curious Case of Benjamin Button, 2008) e "A Rede Social"(The Social Network, 2010). Tendo em vista a natureza forte dos filmes de Fincher, "Os Homens que não Amavam as Mulheres" parecia ser o remake perfeito para entregar em suas mãos.

A trama conta a história de Mikael Blomkvist, repórter da revista Millennium, que após fazer acusações de pouco fundamento contra um engravatado poderoso, acaba sendo sentenciado à certo tempo na prisão. Blomkvist ainda tem alguns meses antes de ser preso, e nesse tempo, Henrik Vanger o procura para uma investigação. O que Blomkvist precisa investigar é o desaparecimento de uma garota chamada Harriet, já há 40 anos. Harriet costumava dar flores enquadradas para Henrik, e depois de desaparecida, as flores continuavam a chegar. Henrik então acredita que Harriet foi assassinada e o feitor envia as flores para lhe perturbar. Devido à sua ligação com a família Vanger, Blomkvist aceita o trabalho. A hacker Lisbeth Salander, que já havia sido procurada por Henrik para espionar Blomkvist e estudá-lo, se dispõe a ajudar o repórter neste caso. A personalidade de Lisbeth é profundamente interessante, além de seu visual peculiar. Lisbeth odeia todo e qualquer homem além de seu guardião legal, pois é vítima constante do preconceito de uma sociedade machista. Mas ela vê algo diferente em Blomkvist, ela acredita que ele possa ser um cara legal, e decide ajudá-lo.

Mikael Blomkvist e Lisbeth Salander foram interpretados por Michael Nyqvist e Noomi Rapace na trilogia original, e na versão americana, são interpretados por Daniel Craig e Rooney Mara. Craig já provou seu talento em vários filmes, mas foi lançado à fama mundial quando interpretou James Bond em "Cassino Royale"(Casino Royale, 2006). Craig tem sido considerado um dos, senão o melhor Bond da história de 007, e ainda estrelou "Quantum Of Solace"(Quantum Of Solace, 2008), está no vindouro "Skyfall"(Skyfall, 2012) e há especulações de poder estrelar mais cinco filmes na pele do espião britânico. Rooney Mara é uma estrela ascendente, ela fez participações em algumas séries de TV e em filmes menores, mas entrou firmemente no cinema com o remake "A Hora do Pesadelo"(A Nightmare On Elm Street, 2010) e como coadjunvante em "A Rede Social"(The Social Network, 2010).

Daniel Craig é um ótimo ator, pode-se ter certeza de que você não vai ouvir numa crítica que Craig é o ponto fraco do filme. Já Mara teve poucas chances de mostrar seu talento, porém sua atuação como Lisbeth Salander têm sido mais elogiada que a de Natalie Portman em "Cisne Negro"(Black Swan, 2010). O longa sueco dispõe de algumas cenas de nudez com Noomi Rapace, já que no livro, Lisbeth aparece nua muitas vezes, e também há muita violência sexual. Fincher afirmou que sua versão também não pouparia a censura nesse aspecto. A própria Rooney Mara admitiu que teve que se preparar para a pesada cena do estupro de Lisbeth, e resenhas internacionais confirmam que o filme de Fincher é mais brutal que o original, além do fato de Mara aparecer seminua no primeiro cartaz do filme.

Um ponto não muito forte do filme sueco foi sua trilha sonora. Apesar de em alguns momentos mostrar-se boa, ela é pouco presente. No remake de David Fincher, os encarregados pela trilha sonora são Trent Reznor, do Nine Inch Nails, e Atticus Ross. A dupla Reznor/Ross já rendeu um Oscar de melhor trilha sonora para Fincher em "A Rede Social", e pelas revisões internacionais, os músicos não desapontaram com seu trabalho neste novo filme. No primeiro trailer de "Os Homens que não Amavam as Mulheres", podemos ouvir um cover feito por Trent Reznor e a vocalista Karen O. da clássica "Immigrant Song", do Led Zeppelin, que também deu um certo tom alternativo à prévia. Reznor também disponibilizou prévias das faixas da trilha sonora original do filme, que podem ser encontradas com facilidade. A primeira faixa, "Hidden in Snow", dá o tom frio e investigativo que podemos esperar do filme. Já sabemos que Trent Reznor e Atticus Ross se dão muito bem compondo para o cinema, e devido à sua familiarização com o diretor, podemos esperar mais um ótimo trabalho dos compositores.

"Os Homens que não Amavam as Mulheres"(The Girl With the Dragon Tattoo, 2011), de David Fincher, chega aos cinemas brasileiros em 27 de Janeiro de 2012. Nos Estados Unidos, o longa já estreiou e encontra-se atualmente em período de exibição. As críticas internacionais têm elogiado muito o filme e especialmente a atuação de Rooney Mara, estando o filme sendo considerando até mesmo melhor do que a obra original sueca, tornando o remake um sério candidato à melhor filme do ano. Aguarde até Janeiro e daremos nossa opinião sobre nova versão do primeiro filme da trilogia Dragon Tattoo aqui na Blaster Lizard!

29.10.11

"Os Homens Que Não Amavam As Mulheres", o original, é uma obra de arte recheada de mistério e ótimas atuações

OS HOMENS QUE NÃO AMAVAM AS MULHERES


A versão de David Fincher de "Os Homens Que Não Amavam As Mulheres", best-seller mundial de Stieg Larsson, é um dos filmes mais aguardados por mim para 2012. Antes que a versão de Fincher seja lançada, eu resolvi comprar o livro, mas antes de ler a obra de Larsson, aluguei a primeira versão cinematográfica sueca da história.
O filme estrela Michael Nyqvist e Noomi Rapace respectivamente como Mikael Blomkvist e Lisbeth Salander. Blomkvist é um repórter da revista Millennium que ao acusar outra empresa em sua matéria, cai numa cilada e é condenado à prisão. Blomkvist tem seis meses até começar a cumprir a sua pena, e quando Henrik Vanger(Sven-Bertil Taube) o oferece uma boa grana para investigar o desaparecimento(ou assassinato) de Harriet Vanger(Ewa Fröling), o repórter não vê como recusar a generosa oferta. Blomkvist faz uma aliança profunda com a hacker profissional Lisbeth Salander, uma garota forte com visual peculiar que sofre por seu passado e com o jeito que a vida pesa sobre ela.
Primeiramente eu gostaria de falar sobre a alta qualidade do cinema suéco. Digo isso em todos os aspectos, e vou detalhar cada um deles. Posições de câmera muito bem pensadas são usadas neste longa, e a fita tem a qualidade de filmagem a altura dos maiores blockbusters Hollywoodianos. A imagem em HD do blu-ray foi muito bem trabalhada e visualmente, o longa foi sublimemente editado, deixando em evidência também que os suecos não usam qualquer tipo de câmera em seus filmes. Arrisco dizer que este filme foi um dos melhores que já vi em blu-ray, em termos visuais. A mixagem de som, no entanto, peca em alguns momentos onde o som é aplicado precipitadamente. Por exemplo, o áudio de uma pancada surgindo antes do golpe atingir o alvo. A trilha sonora demonstra o talento de Jacob Groth, compositor pouco conhecido que trabalhou nos três filmes da trilogia Dragon Tattoo. É muito bem composta, apesar de não ser tão marcante o quanto poderia ser em um longa desse estilo. As atuações são todas muito boas. Nyqvist é ótimo representando Mikael Blomkvist, e Noomi Rapace faz uma excelente interpretação de Lisbeth Salander. Rapace compõe a personagem de forma sombria, depressiva, destemida, perseverante e vingativa. Salander é uma mulher que está sempre sendo empurrada pelo forte tufão, mas nunca desistindo de seguir em frente, nunca se cansando, não deixando que seus inimigos a destruam completamente, e a atriz sueca interpreta essa complicada personagem perfeitamente. Carismática e bonita, Rapace conquista o público na pele de Salander. A química entre o também carismático Michael Nyqvist e Noomi Rapace se desenvolve adequadamente enquanto a história se estrutura, e a forte relação entre os dois personagens não é apenas um mero detalhe. Blomkvist também é um personagem bem estruturado, sendo do começo ao fim um repórter persistente que não tem nada a perder. Peter Haber também é ótimo no papel de Martin Vanger, que ganha bastante espaço para mostrar seu talento no terceiro ato do longa. O filme é muito bem dividido em seus atos. No primeiro, nos são apresentados Blomkvist e Salander separadamente, no segundo sua aliança é formada e no terceiro, um desfecho ótimo. A história é intrigante do começo ao fim. O modo como o mistério sobre o desaparecimento de Harriet se desenrola atrai o espectador mais e mais para a cortina final. A conclusão direciona para respostas improváveis, e nos entrega as ótimas interpretações do bom elenco em máximo volume. Luz e sombras são bem manipuladas, o filme parece bastante brilhante em cenas diurnas enquanto nas noturnas e externas o filme não é mantido escuro o suficiente para que se torne totalmente obscuro. Já em cenas internas escuras, a fita é altamente sombria. O filme é muito bem regido por seu seguro diretor, trabalhando muito bem com as sólidas e ótimas atuações de seu elenco. Os efeitos especiais, em sua maioria práticos, são muito bons, assim como a maquiagem, que atrai bastante a atenção especialmente quando se tratando de ferimentos. Não posso dizer nada sobre o quão próximo o filme é do livro, afinal eu não o li ainda, mas deixo garantido que o filme é ótimo como uma obra que se sustenta sozinha, você não precisa ter lido o livro para gostar ou entender o filme.
Conclusão Final: "Os Homens Que Não Amavam As Mulheres"(The Girl With the Dragon Tattoo, 2009) prova a competência dos cineastas, compositores e atores suecos e a qualidade de suas obras, mesmo que sendo os filmes suecos muito mal distribuídos em nossa região(da trilogia Dragon Tattoo, apenas este primeiro filme foi lançado no Brasil, e ainda direto em DVD). Agora, que venha a aguardada versão de David Fincher!

Nota: 8,8